Amarelos, brancos, roxos ou rosas, os ipês sempre encantam

21 de setembro de 2018
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Considerada a árvore símbolo do Brasil e do bioma cerrado, o ipê é um exemplo de como a natureza se mostra exuberante mesmo diante das adversidades. A espécie floresce justamente nos dias secos e cinzentos do inverno, anunciando a chegada da primavera no final de setembro e promovendo um espetáculo de cores e beleza, especialmente em cidades do Centro-oeste, como a capital Goiânia.

A árvore é muito utilizada para paisagismo, podendo chegar a até 25 metros de altura. A floração de suas diversas espécies que ocorrem no cerrado (amarelo, branco, rosa e roxo) vai de junho a setembro. Ao final da florada, os tipos de ipês mais vistos são o branco e o amarelo; em junho e julho, é mais comuns o roxo; em julho e agosto o amarelo; e no final de agosto torna-se predominante o rosa. O nome ipê vem do Tupi e significa casca grossa. A árvore também possui uma madeira bastante resistente e por muito tempo foi amplamente usada na indústria moveleira. Apesar de ser encontrado em todo território nacional, é no centro-oeste brasileiro que essa espécie vegetal é mais característica.

O Condomínio Aldeia do Vale, um dos maiores e mais requintados da capital goiana, possui mais de 200 exemplares de ipês brancos, rosas, amarelos e roxos espalhados em 1,5 milhão de metros quadrados de áreas de proteção permanente (APP) e nas portas de muitas casas. Nesta época de floradas as árvores são uma atração à parte para moradores e visitantes.

A servidora pública aposentada Tânea Morais, de 60 anos, diz que suas caminhadas diárias de quase quatro quilômetros ficam muito mais leves ao contemplar as belas cores dos ipês. “Como amante das flores e da natureza eu paro diversas vezes durante o trajeto para admirar e também tirar fotos das árvores floridas. Neste ano observei que elas floresceram quase todas juntas, o que deixou as áreas verdes daqui do Aldeia ainda mais bonitas”, comenta a moradora. Ela conta que também plantou seis Ipês na porta de sua casa há seis meses, sendo dois brancos, dois amarelos e dois rosas, e como ainda estão pequenos, não floriram.

O diretor de Meio Ambiente do Aldeia do Vale, Ovídio Palmeira Filho, explica que a preferência nas ações de reflorestamento das áreas verdes do condomínio são para espécies do cerrado. “Nós temos buscado recompor todas as áreas de mata que temos aqui com árvores e plantas nativas da região. Por isso, temos diversas espécies de Ipês dentro de nosso loteamento e nesta época do ano, que é muito quente e seca, temos o privilégio de observar e contemplar a beleza de suas flores. As copas das árvores transformam-se em verdadeiros buquês, deixando um colorido belíssimo”, comenta ele.

Característica

Uma característica marcante dos ipês  é que suas folhas tendem a cair, deixando apenas as flores, aliás, é esse comportamento típico da planta que dá destaque a sua floração. O biólogo Leandro Georges de Paula explica que esse fenômeno ocorre devido à fisiologia da planta, que é caducifólia, ou seja, perde a folhagem para guardar nutrientes e principalmente água, ficando apenas o galhos. “Com a queda das folhas, guarda-se água e esse armazenamento ajuda na geração das flores e depois dos frutos e sementes, que ajudam na perpetuação da espécie quando chega o período chuvoso”, conta o especialista.

Leandro esclarece também que a semente dos ipês têm uma duração de vida breve, de no máximo 20 a 30 dias, sendo o clima goiano propício para o crescimento e desenvolvimento das espécies, pois quando elas caem, vem a chuva que ajuda na germinação. “O clima é o principal fator que faz com que os ipês floresçam com maior intensidade entre os meses de julho e setembro, mas devido às mudanças climáticas, podemos encontrar espécies que soltam suas flores até mesmo em maio. Mas o habitual é que a floração aconteça após um período intenso de seca e frio como agosto e setembro”, sublinha.

Funcionalidade

Além de deixar o Cerrado mais bonito, os Ipês têm uma grande importância ecológica, contribuindo diretamente com a fauna do Condomínio. Segundo o biólogo Leandro Georges, as flores servem de alimento para várias espécies de pássaros. “Como temos muita escassez de alimento neste período mais seco, o néctar das flores alimentam muitos tipos de aves da região. E também servem de sombra e abrigo quando suas folhas ainda não caíram”, comenta.