Profissão jornalista, conheça a história de Paula Tooths

1 de abril de 2019

Nascida no final dos anos 70 em uma família italiana, Paula sempre sonhou em explorar o mundo. Desejava fazer um intercâmbio para aperfeiçoar o inglês que estudava desde pequena e dizia que quando crescesse, queria uma profissão em que ela pudesse ser útil.

Filha de uma física nuclear e um economista, foi aluna dedicada nas classes de exatas e se dependesse do conselho dos pais, teria sido engenheira. Cursou Direito, Ciências da Computação e Comunicação, mas foi como jornalista que ela encontrou felicidade e sucesso.

Viciada em estudar, busca incansavelmente aprender coisas novas. Sua grande paixão são as línguas. Conta com quatro na bagagem e outras duas em fase de aprendizado.

“A vida é muito curta para nascermos e morrermos na mesma vizinhança. Passear, viajar e mudar tem muitas vantagens, mas como qualquer outra escolha, tem desvantagens. Tomei riscos, vivi em diferentes países, conheci novas culturas e aprendi outras línguas. Essas experiências, complementam a nossa profissão, mas vai muito além. Essas experiências moldam a nossa existência. Eu certamente seria uma outra “Paula” se não tivesse tido coragem de viver de verdade, sem amarras, sem medos e muitas vezes sem nada além de mim mesma” – lembra a jornalista.

 

Hora Extra: Como foi seu encontro com o jornalismo?

Na verdade, foi por acidente. Eu trabalhava na bolsa de valores (BMF-Bovespa) e uma antiga colega, que trabalhava em uma produtora, disse que tinha uma vaga na TV Band e que era a “minha cara”. Eu nunca tinha pensado em trabalhar em nenhuma mídia, a única experiência que eu tinha na indústria, eram os longos anos de curso de teatro. Liguei e por curiosidade, fui fazer a entrevista. Foi amor a primeira vista. Anos depois, soube que a diretora de RH vetou minha entrada, mas meu primeiro gerente foi quem insistiu que eu era a candidata certa. Dias depois fui contratada. Deixei o mercado financeiro e comecei a trabalhar naquela emissora. A Band sem duvida foi a minha melhor escola, aprendi muito durante os anos que trabalhei ali. Mas jornalismo é muito mais do que um trabalho, é paixão, é dedicação. São 22 anos e eu não quero viver sem a missão de informar nenhum dia da minha vida.

HE: Qual a cobertura que mais te marcou?

Eu lembro de cada trabalho que fiz com carinho. Tento sempre me entregar por completo em cada um deles. Alguns são mais marcantes pelo peso ou repercussão. Da Austrália, para mim foi um renascimento, já que foi a primeira vez que entrei ao vivo como correspondente internacional com o incêndio do National Park. O incêndio do Greenfell Towers talvez tenha sido um dos mais dolorosos para fazer, pois meu filho estudava no maternal que ficava dentro daquele complexo. Sem dúvida a que me tocou mais foi o Brexit. Três anos sólidos de trabalho, não podemos piscar para não perder nenhum detalhe, e ainda não tem desfecho. O Brexit para mim tem outro tom também, porquê eu sou mais um entre tantos europeus afetados.

HE: Quais são os prós e os contras de exercer jornalismo fora do país?

A experiência é fantástica. Escola maravilhosa. O começo nunca é fácil, precisamos aprender a ser auto suficientes em todos os aspectos. Não e só a história que no exterior lavamos, passamos, cozinhamos e limpamos a própria casa. As pessoas não são tão amigáveis quanto os brasileiros e é mais difícil fazer amizades. Eu sempre fui o “grude” da família e do grupo de amigos, e viver longe deles foi e é uma missão quase impossível. Hoje é mais facil, tem toda essa tecnologia que facilita a comunicação, mas quando eu fui embora era cartão pré-pago e orelhão. Vivendo em países latinos, sentimos ser abraçados de alguma maneira pela comunidade, mas nos países anglos não. Eu passei por situações desagradáveis, vítima de preconceito, mas hoje tiro de letra.

HE: Voltaria para o Brasil se uma oportunidade aparecesse?

E por que não? Hoje é mais difícil. Sou casada com um britânico e mãe de um pequeno britânico. Os dois só falam inglês. De todas as propostas que recebi desde que tenho família, essa de ter vindo para os Estados Unidos foi a primeira que eu considerei, por conta do idioma. Ainda assim é complicado para eles, porquê aqui no sul da Flórida encontramos mais pessoas falando espanhol do que inglês nas ruas. Mas claro, respondendo a sua pergunta, se fosse uma oportunidade “imperdível”, eu consideraria o retorno ao Brasil.

HE: Que dicas ou sugestões você daria para estudantes e profissionais que gostariam de seguir essa mesma trilha internacional?

Não existe receita. Não acontece da mesma forma para Maria e para José. Para mim, foi um diferencial ter estudado inglês desde criança, aprendido bastante da língua italiana com meus avós e depois ter aprendido outras línguas. Ainda assim, com fluência, somos vistos de maneira diferente. Precisa mostrar competência para compensar o sotaque. Inglês e espanhol já não são mais tópicos de diferencial, é quase uma obrigação na nossa indústria. Diferencial mesmo e quando você tem 4, 5, ou ate 6 línguas no currículo e ainda assim a competição e grande. Tem de estudar muito, pesquisar sempre, não ter preguiça de cruzar fatos e consultar fontes. História também é fundamental, para entender o momento presente. E acima de tudo, seja curioso!