“Manter o presidente no poder foi a melhor opção neste momento”

26 de novembro de 2017

Com mais de 1 milhão de votos ao Senado em 2014, Vilmar Rocha não conseguiu superar Ronaldo Caiado, mas mostrou que tem força e votos para ainda ser um player nas próximas eleições. Presidente de um dos partidos que mais cresce no Brasil, Vilmar fará a diferença nas próximas eleições e suas escolhas poderão selar o destino político de Goiás em 2018.

Hora Extra – Em relação ao PSD, como está a definição do partido para as eleições de 2018?

 Vilmar Rocha –  Esse é um momento de conversações, de diálogos e avaliações, mas as decisões mesmo serão tomadas só a partir de março do ano que vem.

HE – Mas e esses nomes que já foram lançados pela base? O senhor acredita que ainda podem mudar?

VR: Claro que podem. Você sabe que na política as coisas mudam com muita rapidez. O ex-presidente Tancredo Neves brincava que, em política, uma semana é uma eternidade. Então, temos de seguir conversando, articulando, mas com consciência de que as decisões de agora não são definitivas.

O ex-presidente Tancredo Neves brincava que, em política, uma semana é uma eternidade.

HE – O senhor acredita que a base do governador Marconi Perillo sofrerá baixas para as eleições de 2018?

VR: Acredito que vai haver mudanças sim. A base atual não será a mesma nas eleições. Isso é da dinâmica da política.

HE – O PSD pode sair da base?

VR: Uma das coisas que eu prezo na presidência do partido é de ser democrático. Muita gente diz isso, mas não pratica. Eu pratico. Eu não imponho decisões. Eu escuto todos do meu partido. Então, essa questão de permanecer ou não na base não depende só de mim. No momento certo, vamos sentar e ponderar qual será o melhor caminho para o partido. Agora, eu quero deixar bem claro que eu não estou na base. Eu ajudei a construir essa base. Eu, junto com outros companheiros é que construímos essa base em 1998. E mais: eu sou um dos poucos políticos que foi ao sacrifício pela base. Quando? Na eleição de 2006, quando eu me posicionei politicamente e acabei ficando sem mandato. Então, o governador Marconi Perillo é o nosso grande líder. Mas nós nós que ajudamos a construir e a sustentar esse governo durante todos esses anos. O governo é um conjunto de pessoas. Eu sou secretário de Estado e trabalho todos os dias em prol de Goiás e do governo. E vou continuar assim até o fim. Agora, o que estamos discutindo é o futuro governo. Quais são as correlações de força que vão compor o governo a partir de 2019.

HE – O senhor mantém a postura de somente ser candidato a senador ou a governador?

VR: Mantenho. Em 2018, eu quero disputar uma eleição majoritária. Se serei ou não candidato, isso depende de muitos fatores. Mas essa é a minha posição. Eu quero ser candidato a senador ou a governador.

HE – E em relação à reforma política? Como o senhor avalia as mudanças que estão sendo propostas?

VR: Qual seria a alteração no sistema político eleitoral profunda? O voto distrital! Por que? Porque ele daria mais representatividade para os eleitos, baratearia as campanhas e aumentaria o controle e a cobrança dos eleitores sobre os eleitos. Eu sou a favor do voto distrital e acredito que aqui, no Brasil, o ideal seria o voto distrital misto, como é na Alemanha, porque ele beneficiaria também os candidatos ideológicos.

Eu sou a favor do voto distrital e acredito que aqui, no Brasil, o ideal seria o voto distrital misto, como é na Alemanha, porque ele beneficiaria também os candidatos ideológicos.

HE – E o financiamento das campanhas?

VR: Olha, financiamento de empresas é coisa do passado. Não volta mais. Esquece! Isso está superado. Então, só temos duas alternativas: ou o financiamento da pessoa física ou o público. Nós não temos essa cultura da pessoa física doar para seu candidato. Então, só sobra o financiamento público. Acho que temos de desenvolver o financiamento de pessoa física, criar essa cultura, criar mecanismos pra isso, pela internet, por exemplo.

HE – O senhor acredita que foi boa a decisão de manter Michel Temer na presidência?

VR: Foi boa sim. Se eu fosse deputado federal, eu votaria para manter o presidente Michel Temer. Por duas razões: primeiro porque a manutenção dele não quer dizer que ele foi absolvido. Apenas a câmara tomou uma decisão política dele não responder ao processo no exercício do mandato. Depois que ele deixar o mandato o processo continua e ele irá responder. A outra questão é a estabilidade política e econômica. O País está numa crise grande e a saída dele ia gerar uma instabilidade, uma insegurança e uma dificuldade na ordem econômica. Estamos a um ano das eleições. Se ele saísse, o Rodrigo Maia (presidente da Câmara) assumiria só por seis meses e depois o Temer poderia até voltar. Então, veja o que isso geraria de insegurança e instabilidade. O País está caminhando para sair da crise. As reformas aprovadas pelo Congresso são positivas e direcionam para que o Brasil supere essa crise. Manter o presidente no poder foi a melhor opção neste momento.

Manter o presidente no poder foi a melhor opção neste momento.