Entrevista com Lucas Kitão

20 de novembro de 2016
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Ele começou a gostar de política ainda na escola. Estudante de um dos mais tradicionais colégios de Goiânia

Independentemente de ser as novas ou as antigas quero estar no bloco dos bem intencionados.

Ele começou a gostar de política ainda na escola. Estudante de um dos mais tradicionais colégios de Goiânia, o católico Externato São José, Lucas Kitão se envolveu com o Grêmio Estudantil. Como a maioria dos jovens da região Centro-Sul de Goiânia – Kitão foi criado no Setor Aeroporto e no Setor Oeste – ingressou em Direito na Pontifícia Universidade Católica, tendo sido um dos diretores do famigerado Centro Acadêmico Clovis Bevilaqua. Foi lá que aprendeu a fazer política estudantil. Hoje, é um dos mais jovens vereadores que comporá a Câmara Municipal de Goiânia a partir de janeiro. Com apenas 25 anos, Lucas faz parte do movimento Pense Novo – uma ala do Partido Social Liberal que tenta levar o liberalismo para a sociedade de uma maneira mais pragmática. Em entrevista exclusiva ao Hora Extra, Lucas falou sobre suas aspirações na vereança: “Eu sou de uma linha liberal em que o Estado tem de ter menos influência, que se ele puder trazer algum bem para a sociedade muito bom, mas se não, que não atrapalhe o cidadão trabalhador”. Sobre o próximo prefeito Iris Rezende: “Eu não tenho dificuldade em ter diálogo com o Iris, o vejo como uma pessoa trabalhadora e não tenho desgaste” e sobre a nova configuração da casa de leis: “independentemente de ser as [caras] novas ou as antigas quero estar no bloco dos bem intencionados

 

Hora Extra: conta para os nossos leitores um pouco sobre o novo vereador de Goiânia, o Lucas Kitão

Lucas Kitão: Bom, eu vim do Movimento Estudantil. Foi no colégio que eu comecei a minha vivência política, que eu tive experiências e os primeiros contatos foi no Grêmio Estudantil do Externato São José; depois fui diretor do Centro Acadêmico da PUC, faculdade em que eu cursava Direito e depois tivemos disputas pelo DCE da universidade; e após essa fase, de movimento, eu vi que meu lugar era mesmo na política partidária e foi onde (sic) eu e outros companheiros entramos no PSDB-Jovem. Na época da gestão do Lucas Calil. A gente conseguiu reestruturar o PSDB-Jovem em vários municípios do estado e foi com essa plataforma que nós criamos o grupo Pense Novo já no PSL, esse grupo foi responsável pela eleição do Lucas Calil a deputado estadual e que demos continuidade nesse projeto na minha eleição. Hoje, esse grupo Pense Novo é uma tendência do PSL. Uma frente do PSL mais jovens, não só ideológica, mas de muita ação, sabemos pouco de política, tenho falado isso, mas nós já sabemos o que não fazer. Esse foi o recado que as urnas nos deram, que as pessoas estão descontentes.

HE: É então um goaniense?

LK: Eu sou nascido em Goiânia mesmo, sempre morei ali entre o Setor Oeste e o Setor Aeroporto, da Região Centro-Sul da cidade. Mas, uma coisa tenho de falar, uma das bandeiras da minha campanha era a não regionalização da nossa campanha, e agora do nosso mandato, eu quero ser vereador de toda a cidade. Quero entender a cidade como um todo. Por isso fiz campanha em todas as regiões da cidade.

HE: Você foi eleito com mais de quatro mil votos, em uma das eleições com mais abstenções, qual o saldo que você tira, já que sua campanha foi modesta em relação a tantas outras que não foram bem sucedidas?

LK: Eu acho que foi benéfico porque isso de o CNPJ não poder contribuir com campanhas eleitorais acabou que fez com que nossa campanha sobressaísse sobre as outras porque a gente não esperava mesmo esse dinheiro de grandes grupos porque eu não represento nenhum grupo econômico. Apesar de me auto-intitular o candidato que vai trabalhar pelo setor produtivo eu quero fazer isso porque eu acredito, porque eu acho que é por meio do emprego que vamos tirar os jovens do crime. Quem tem emprego não vai para as ruas, vai investir na sua formação e na formação dos filhos. Eu sou de uma linha liberal em que o Estado tem de ter menos influência; que se ele puder trazer algum bem para a sociedade muito bom, mas se não, que não atrapalhe o cidadão trabalhador.

 

HE: E o sr já decidiu qual será a sua linha de atuação na Casa?

LK: Bom, eu não tenho essa intenção de ser oposição por ser oposição nem de ser situação por ser situação, o meu posicionamento hoje ainda é indefinido. Primeiro porque a minha intenção maior é contribuir com a cidade e na medida que Deus me deu essa chance de ser vereador a prioridade lá dentro da Câmara Municipal será a cidade independente de lado ou partido. Eu estou dizendo isso para concluir que: o que for, e o que eu tiver certeza que é o melhor para cidade eu vou apoiar independente de ser oposição ou governo. Tudo bem, nosso candidato não venceu, mas bola para frente. Eu não tenho dificuldade em ter diálogo com o Iris, o vejo como uma pessoa trabalhadora e não tenho desgaste. Espero que ele escute as novas vozes da Câmara Municipal porque querendo ou não a gente representa o que a população quer hoje: mudança, transparência e o fato de sermos mais acessíveis que os antigos políticos.

HE: E quais serão seus projetos nesse início de vereança?

LK: Bom nós temos alguns projetos já traçados. Mas o nosso principal foco será a diminuição da burocracia em todos os setores da prefeitura, transformar a prefeitura em algo ágil, que flua, que auxilie o cidadão, no social e no setor produtivo sem criar barreiras para essas pessoas. Que seja transparente. Por exemplo, temos o projeto de lei para que o prefeito indique apenas pessoas técnicas para cargos chaves e não apenas agente políticos, companheiros como a gente vê.

HE: O seu partido, o PSL, tem uma tendência nacional muito forte denominada Livres, e a tendência é que o partido seja o maior partido liberal do Brasil. Existe livres em Goiânia? Como é sua relação com eles?

LK: Sim, clato que existe! E a  gente sempre teve uma relação boa,  ótima. Nós espelhamos nossa atuação nas ideias liberais que os Livres colocam à disposição da gente, mas, querendo ou não a gente às vezes tem uma atuação mais pragmática, mais de rua e foge um um pouco da atuação ideológica e digital dos Livres, nada contra, são só meios diferentes de ação. A gente está pegando um pouco de cada, essa vivencia mais popular do Pense Novo com o arcabouço intelectual e ideológico dos Livres, eu acho o resultado será excelente.

HE: O Sr, depois de eleito, já foi à Câmara, já conheceu os novos colegas?

LK: Eu trabalhei lá, eu secretariei a Comissão de Desenvolvimento Econômico e Social  e foi lá que eu comecei a entender a cidade e ter gosto pela política, pesquisei muito sobre a cidade. Porque eu gosto demais de Goiânia, nasci e cresci aqui, adoro a cidade, quero criar uma família aqui e eu não quero viver com todos os problemas que a cidade tem agora. Sobre a pergunta: eu conheci alguns dos novos, uns nove, dez, gostei muito. São pessoas boas, me aparentam ser bem intencionadas e é isso que eu quero e a essas que eu quero me unir, independentemente de ser as novas ou as antigas quero estar no bloco dos bem intencionados. Já tem algumas correntes que após a eleição do Iris direcionou um pouco a mesa, a chance do prefeito eleger a mesa é muito maior. Mas vejo com bons olhos, vamos aguardar.