Entrevista: Jair Bolsonaro

21 de dezembro de 2017
Foto: Divulação

O deputado Jair Messias Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, concedeu uma entrevista exclusiva  ao jornal Hora Extra e respondeu à algumas questões polêmicas.

Hora Extra: Um jornal goiano publicou a seguinte manchete sobre a sua passagem pelo estado na quinta-feira, 7, “Em Anápolis, discurso de Bolsonaro tem ataque a negros e mulheres”. O sr. fez isso? Com o sr. se sente lendo essas matérias?

Jair Bolsonaro: Eu acredito energicamente na igualdade entre homens e mulheres; igualdade entre negros, índios, brancos, amarelos… somos todos brasileiros e devemos ser prestigiados em função de nosso desempenho e esforço. Parte da imprensa nacional – e infelizmente isso se reflete também em Goiás – está comprometida com a mentira. O povo anapolino, que compareceu em massa aos eventos daquela quinta-feira, sabe que não falei qualquer discurso nesse sentido.

Eu acredito energicamente na igualdade entre homens e mulheres; igualdade entre negros, índios, brancos, amarelos.

HE: O sr. fala muito de doutrinação, eu pergunto:  como descontaminar a doutrinação no país?

JB: É preciso fazer com que nossas escolas ensinem valores e conteúdo. Quanto aos primeiros, refiro-me a civismo, honestidade, amor à pátria, respeito, ordem… no que tange ao segundo, falo de Matemática, Ciências, Língua Portuguesa e tantas outras matérias sérias que nos conduzirão a um país mais forte e soberano. Eu me volto contra qualquer ensino que tenha caráter político-partidário ou que busque “sexualizar” nossas crianças.

Daí porque defendo o modelo de colégios administrados pela Polícia Militar, como ocorre aí em Goiás. Hoje temos 36 escolas militarizadas em território goiano e outras quase 40 “no forno”. Essas escolas são vetores de excelência no ensino, de segurança para professores e alunos, de desempenho, de civismo, de respeito aos valores mais caros de ordem e, particularmente, de compromisso com um ensino de qualidade.

Acredito, assim, que a vacina para a doutrinação seja uma educação de qualidade e isenta da maldade esquerdista que tem contaminado parte de nossas escolas nos dias atuais.

O MEC de um eventual governo meu estará preocupado com a qualidade do ensino, baseado em valores e conteúdo. Não haverá espaço para qualquer traço, por menor que seja, da ideologia criminosa de gênero.

O MEC de um eventual governo meu estará preocupado com a qualidade do ensino, baseado em valores e conteúdo. Não haverá espaço para qualquer traço, por menor que seja, da ideologia criminosa de gênero.

HE: Goiás é um estado baseado no agronegócio, e muito suscetível a invasão de movimentos invasores (MST e MSTS). O sr. pretende responsabilizá-los pelos danos que causam ao meio rural?

JB: Com toda certeza, se eu chegar lá, eles serão responsabilizados. A propriedade é algo sagrado, a base mesma de nossa sociedade. Não podemos flexibilizar esse direito que garante a segurança de nossas famílias e de nosso futuro como Nação. Serei intransigente em relação às invasões. Por isso, defendo que os produtores rurais possam adquirir, inclusive, fuzis para dissuadir invasores e, em último caso, proteger suas famílias e suas propriedades.

Jair Bolsonaro é recebido por multidão em Anápolis

HE: O que o sr. acha da lei de imigração encabeçada por Aluísio Nunes que escancara nossas fronteiras?

JB: Essa Lei abriu nossas fronteiras. Sou contrário a ela. Respeito nossas tradições mais caras de ser um povo acolhedor, formado por imigrantes de diversas partes do planeta. Entretanto, não posso compactuar com uma lei que garante direitos para os estrangeiros em medida ainda não concedida a uma parcela muito grande de nossos cidadãos.

Além disso, no quadro caótico de segurança pública em que estamos inseridos, temos que ser extremamente criteriosos na abertura de nossas fronteiras. Elas, se não bem guardadas – e isso é um desafio de monta –, podem ser a porta de entrada para todo tipo de criminosos, infiltrados no seio de pessoas buscando novas oportunidades de vida. Podemos acabar abrindo as portas para que, por exemplo, terroristas internacionais encontrem refúgio em nosso território, o que poderia ainda agravar a situação de nossa segurança pública.

Aproveito a oportunidade para convidar o povo goiano para conhecer um projeto de lei que fiz a respeito das ações contra-terroristas, de número 5.825/2016. 

Quem se incomoda com minha ascensão me acusa de não ter apresentado projetos abrangentes. Esse projeto é um exemplo que se contrapõe a esse discurso mentiroso.

HE: A população discute hoje indignada o caso “Cunhado da Ana Hickmann” em que o promotor pede de 6 a 20 anos para um caso claríssimo de legítima defesa. Qual a sua posição sobre esse caso?

JB: Esse caso é um absurdo. Qual o limite entre a legítima defesa permitida em Lei e o exagero alegado por esse promotor? É muito fácil tentar traçar esse limite sentado numa cadeira confortável, no ar condicionado. O cunhado da Ana deveria ser condecorado e não denunciado. Vamos lutar para que a legislação penal reflita as angústias de um povo que se vê refém de bandidos cada vez mais ousados. Isso tem que acabar. O povo não aguenta mais.

Vamos lutar para que a legislação penal reflita as angústias de um povo que se vê refém de bandidos cada vez mais ousados

HE: Quais os planos do sr. para nosso estado de Goiás?

JB: Goiás é um Estado maravilhoso. Estive diversas vezes por aí nos últimos meses. O povo goiano é empreendedor, conservador, acredita nos valores da família… A economia goiana é pujante e tem atravessado muito bem as crises causadas pela irresponsabilidade dos diversos governos petistas que praticamente arrasaram o País.

Goiás é, na minha visão, estratégico. Rodovias e ferrovias importantes cruzam o Estado; sua indústria é relevante. Estou ciente, inclusive, dos movimentos para o desenvolvimento do Polo da Base Industrial de Defesa de Anápolis, o que me deixa muito entusiasmado. A segurança estratégica da Capital do País está intimamente ligada a Goiás e isso é refletido na presença de unidades militares das Forças Armadas de grande importância como a Base Aérea de Anápolis, que, provavelmente, abrigará nossos novos caças Gripen NG; o Comando de Operações Especiais de Goiânia (sede maior de nossas competentes Forças Especiais) e o Forte Santa Bárbara, casa de nossos lançadores múltiplos de foguetes, de Formosa.

Por tudo isso e muito mais, Goiás terá minha total atenção se vier a chegar lá. Esse é o motivo, também, que tenho incentivado novas lideranças a adentrar a carreira política. Nesse contexto, tenho apontado o Major Vítor Hugo na região como um pretenso pré-candidato a Deputado Federal. Oficial superior do Exército da reserva não remunerada, Forças Especiais e paraquedista como eu, primeiro colocado em diversos cursos intelectuais e de combate e agora servidor concursado da Câmara dos Deputados, o Major Vítor Hugo aceitou meu convite e o grande desafio de ombrear comigo na luta para construir um país mais forte, a partir de estados como Goiás à frente desse processo.

Tenho apontado o Major Vítor Hugo na região como um pretenso pré-candidato a Deputado Federal.

Major Vitor Hugo Almeida e Jair Bolsonaro (Bolsonaro aposta em seu nome para Goiás)