Entrevista: Governador José Eliton

20 de agosto de 2018

Hora Extra: Sua taxa de rejeição é baixa e a aprovação do seu governo é boa. No entanto, estes dados ainda não se revelaram nas pesquisas. Como ampliar o eleitorado marconista e fazer com que as pesquisas traduzam a boa aceitação do seu nome?

José Eliton: São dois fatores importantes para o crescimento da nossa candidatura: baixa rejeição, uma das mais baixas entre os candidatos ao governo de Goiás, e boa aprovação de nossa gestão, superior a 45%. As pesquisas neste momento apontam mais conhecimento do eleitorado sobre os candidatos. Alguns estão há mais de 30 anos na política e já disputaram mais de três eleições majoritárias. Portanto, são muito mais conhecidos do eleitor. A campanha apenas começou. Temos o maior tempo para o horário eleitoral, a maior militância (deputados, prefeitos, vereadores, militantes) e a melhores chapas majoritária e proporcional para a eleição estadual deste ano. Esse time todo fará a diferença. Também apresentaremos em detalhado um plano de governo que, não só garantirá a conquista dos últimos 20 anos para os goianos, como também apontará caminhos para o futuro, com propostas inovadoras, que vão gerar novas oportunidades para os goianos e, acima de tudo, responsáveis, factíveis, e não apenas promessas milagrosas sem respaldo na realidade financeira e orçamentária do Estado. Por exemplo, tem candidato que promete aumentar o salário dos policiais de terceira classe. Primeiro, convém ressaltar, que não ganham apenas R$ 1,5 mil por mês. O salário é de R$ 1,8 mil, mais R$ 500,00 de ajuda alimentação e, somadas as horas extras, chegam a R$ 3 mil. Mas se equiparar aos salários de quem está na ativa há mais de dois anos, o impacto na folha de pagamento do Estado será de R$ 104 milhões por ano. De onde virão estes recursos? Aumento de impostos ou cortes em programas sociais? Isto para citar apenas um exemplo. O candidato que atualmente lidera as pesquisas para o governo de Goiás também liderou as mesmas quando foi candidato a governador em 1994. Sequer foi para o segundo turno. Portanto, pesquisas neste momento não nos impactam. O que importa realmente é o conjunto: chapas competitivas, militância aguerrida, um ótimo plano de governo feito pela sociedade e não por consultoria de outro Estado, ter o que mostrar com uma boa gestão, equilíbrio e responsabilidade, e o um bom tempo de TV e rádio.

HE: O desemprego ainda é alto no país e atormenta a vida das famílias as brasileiras. Goiás, ao contrário de muitos outros estados, vem crescendo num ritmo acima da média nacional. Quais suas propostas para não só manter, como ampliar esse crescimento, e colocar todos os goianos de volta ao trabalho?

JE: Goiás tem se recuperado da grave crise econômica que afetou o Brasil de forma mais rápida que a maioria dos Estados. Somos o quarto no País em geração de empregos neste ano. A taxa de geração de empregos cresce em média 5% ao ano no nosso Estado. Isto, graças aos investimentos do setor privado. Mas eles são só possíveis porque o nosso governo atua em total sintonia com os empreendedores, não apenas oferecendo um atrativo programa de incentivos fiscais, mas investindo pesado na nossa infraestrutura, especialmente na malha rodoviária, que reduz custos, também na qualificação de nossa mão de obra (que atende tanto as empresas como também os trabalhadores), e inovando em programas e políticas de desenvolvimento econômico e tecnológico. Instalamos em parceria com o setor privado agora em Anápolis, por exemplo, o Comdefesa, que vai no curto prazo atrair várias empresas de tecnologia e de armamento para a região. Vamos ampliar estas ações, não apenas com novos programas de qualificação dos trabalhadores, mas desde o ensino fundamental, em que temos o terceiro melhor do País, segundo o Ideb, mas também no ensino superior, ampliando a oportunidade que todos os jovens de todos os municípios goianos possam fazer um curso superior ou técnico.

HE: Como o Sr percebeu a perda de antigos aliados do tempo novo como Lincoln Tejota, Iso Moreira, Heuler Cruvinel, Alexandre Baldy, Wilder Morais, João Campos…o Tempo Novo está chegando ao fim?

JE: O Tempo Novo está se renovando. Não é apenas uma questão de grupos partidários, mas de conceito. Foi responsável pela ampla e forte modernização do Estado nos últimos anos. Agora seu foco será gerar mais oportunidades para todos os goianos, democratizar mais ainda o acesso das pessoas à educação de melhor qualidade, saúde regionalizada e em três turnos, segurança pública mais presente. Que dê oportunidade para empreendedores, sejam grandes ou pequenos, possam investir com segurança jurídica e sem o peso da ameaça de que o governo vai aumentar a carga tributária. Que dê a oportunidade para que todos trabalhadores possam se capacitar e qualificar. Depois de ter modernizado o Estado, foco será mais nas pessoas, no cidadão.  Fato de algumas lideranças políticas terem optado por outros projetos não é uma novidade para o nosso grupo. Isto já ocorreu em outras eleições estaduais, como a de 2006 e 2014. O importante é que o nosso grupo, em sua maioria, se manteve coeso e forte para vencermos todas as eleições. Também, convém frisar, recebemos novos aliados que estavam na oposição.

HE: O debate da eleição presidencial cada vez mais se desloca para a área de segurança pública. O candidato do PSL, Jair Bolsonaro, personifica esse interesse. Bolsonaro, inclusive, promete levar o projeto dos CPMGs para todo o país. O senhor pretende ampliar o projeto? Acredita que a militarização pode ser a saída para a educação brasileira?

JE: A segurança pública, volta e meia, está entre os principais debates nas eleições presidenciais. Mas, infelizmente, pouco se avança depois. Em Goiás investimentos mais de 13% do Orçamento do Estado em segurança pública. Isto é mais de R$ 3 bilhões por ano. Isto, sem quase nenhuma ajuda do governo federal, da União. Apesar disto, temos avançado muito no combate a criminalidade e ao crime organizado. Só neste ano apreendemos mais de 30 toneladas de drogas. Desmantelamos as quadrilhas especializadas em roubos a bancos, mais conhecidas como novo cangaço, e roubo a cargas. Mas a nossa legislação é frouxa. Temos candidatos a governador que agora falam que vão acabar com a criminalidade no Estado, mas nada fizeram no Senado ou na Câmara dos Deputados para que tenhamos leis mais firmes contra estes bandidos, para que reduzamos a impunidade no País. É um engodo afirmar que as leis são brandas porque os Estados não têm presídios para tantos criminosos. Para se resolver isto, a União (que concentra a maior parte da arrecadação de impostos no País) deveria investir mais em segurança pública. Mas o Congresso Nacional pouco fez e faz sobre isto também. Sobre os colégios militares, é um modelo muito demandado pela população por conta da disciplina nestas unidades. Convém lembrar que o conteúdo educacional é o mesmo para todos os mais de 1 mil colégios da rede estadual. Acredito que estamos muito próximos do quantitativo ideal para Goiás em termos de colégios militares. O que vamos fazer nos próximos quatro anos é investir mais na estrutura física das escolas estaduais, em que neste ano já inauguramos 20 unidades de tempo integral e do modelo Século 21, e na capacitação dos professores com bolsas para mestrados e doutorados, além de melhorarmos a gestão administrativa das escolas. Vamos, com certeza, chegar ao primeiro lugar em qualidade medido pelo Ideb do Ministério da Educação.

 HE: A Pasta da Comunicação vem sendo um problema para o Governo, agora que o MPF começou uma investigação sobre a destinação das verbas publicitárias a veículos suspeitos de fazer fake news e assassinato de reputações. Em sendo eleito, como vai ser a comunicação de seu governo?

JE: A comunicação do nosso governo é altamente competente e profissional e assim deverá ser nos próximos quatro anos, em que a transparência será o nosso principal mantra. Esta investigação surge exatamente em período eleitoral, por conta de denúncias sem lastro que provem as mesmas de nossos opositores. O instrumento de fake News é um grave e preocupante problema no mundo moderno, em que muitos se informam apenas pelas redes sociais, e o nosso governo e a nossa candidatura são as maiores vítimas destes abusos, destes crimes. Também entramos com ações na Justiça contra esta prática.