Entrevista – Glaustin da Fokus

19 de março de 2019
Glaustin da Fokus está em seu primeiro mandato como deputado
Criar uma série de mecanismos para combater e punir qualquer tipo de violência contra a mulher. Esta é a meta do deputado federal Glaustin da Fokus, do PSC, ao defender projeto de lei de sua autoria que cria o dia nacional de combate ao assédio sexual e moral nas relações de trabalho. 
 
O que motivou a criação do “Dia de Combate ao Assédio Moral e Sexual nas relações de trabalho”?
 
A discussão do tema. Sabemos que o assédio moral e o assédio moral acontecem no ambiente de trabalho e nem sempre patrões e colaboradores sabem como lidar com esse tipo de situação. Este dia será dedicado a esclarecer e a conscientizar a todos de que isso existe, é grave e deve ser combatido. Meu objetivo ao apresentar o projeto foi chamar a atenção para a violência a que estão submetidas as mulheres. Não apenas no ambiente de trabalho, mas em qualquer lugar e situação, mas já existem datas que lembram essa luta contra a violência contra a mulher. A diferença é que discutiremos uma violência até agora mais silenciosa, que é a que a atinge no ambiente de trabalho. Com medo de perder seu sustento, muitas vezes a mulher é silenciada e suporta a violência. Isso tem de parar.
 
Mas seu projeto engloba a violência praticada também contra homens, não é mesmo?
Engloba sim. Quando pesquisamos sobre o assunto, algo que nos surpreendeu é que o assédio moral e o sexual ocorrem no ambiente de trabalho também contra homens. Uma pesquisa do portal Vagas.com mostra que mais da metade dos entrevistados já sofreu algum tipo de assédio e que em 87% dos casos não denunciou o crime por medo de perder o emprego. No Brasil, conforme a pesquisa, 52% dos entrevistados disseram ter sofrido algum tipo de assédio no ambiente de trabalho. A pesquisa ouviu quase cinco mil pessoas em todo o país e 87,5% afirmou que não denunciou o assédio, principalmente por medo de perder o emprego. Outros alegaram vergonha ou medo. Entre os que tiveram coragem de denunciar o fato, pouco foi feito a respeito. Em  74,6% dos casos, o agressor permaneceu na empresa mesmo após a denúncia. O que nos surpreendeu é que dos 47,3% dos entrevistados que declararam já ter sofrido assédio moral, 51,9% dos casos ocorreram com mulheres. Ou seja, 48,1% das vítimas são homens. Elas são maioria também no caso do assédio sexual, respondendo por 79,9%, contra 20,1% de homens. Então, diante dos números crescentes, preferimos abranger os dois gêneros nesta discussão. É preciso que o ambiente de trabalho seja imune a este tipo de violência. É lá que se ganha o sustento da família, que se resgata a dignidade. O ambiente de trabalho é uma ferramenta de inclusão e integração. Não pode ser lugar de violência.
 
E como alcançar isto, deputado?
Capacitando gestores de recursos humanos, gerentes, supervisores, diretores, prepostos e responsáveis pelos departamentos pessoais das empresas de modo a prevenir e combater o problema de forma célere e eficaz. A conscientização, por sua vez, deve alcançar todos os envolvidos no ambiente laboral quando se trata de assédio moral no trabalho. O assédio sexual, por sua vez, requer rigorosa sanção aos responsáveis nas esferas penal, civil, administrativa e trabalhista, além de justa e adequada indenização da vítima pelos eventuais danos morais e materiais sofridos.
 
E como a data foi escolhida?
O dia  1º de novembro é uma alusão a um caso ocorrido no ano passado, em que empregados do Google em todo o mundo deixaram os escritórios da empresa para protestar contra escândalos de assédio sexual e em como a empresa lidava com esses casos. Segundo o próprio Google, cerca de 60% dos funcionários participou dos atos em Singapura, Índia, Estados Unidos, Inglaterra, Irlanda, Suíça e no Brasil. O “Google Walkout”, como o protesto ficou conhecido, ocorreu depois da publicação de uma matéria no New York Times, que falava da proteção que a empresa deu a Andy Rubin, um alto executivo diretor do sistema Android, acusado de assédio. Após a veiculação de reportagem, o presidente do Google, Sundar Pichai enviou e-mails aos funcionários prestando contas sobre as providências em casos de assédio. Ele revelou que já havia demitido 48 pessoas nos últimos anos, sem qualquer tipo de benefício. Pegamos a data simbólica para que este tipo específico de violência seja discutido aqui também. Temos datas específicas como o 8 de março para a discussão das políticas públicas adotadas para evitar a violência contra a mulher. É o dia de luta com maior simbolismo no país que infelizmente registra números cada dia maiores de feminicídio. De um país que precisa de uma Lei Maria da Penha para punir a violência doméstica. Não podemos tirar o protagonismo deste dia tão importante no calendário de luta das mulheres. Acrescentamos mais um dia de luta contra a violência neste calendário.
 
Qual o posicionamento do PSC sobre o tema?
O Partido Social Cristão é o partido da família, dos bons costumes e jamais compactuaria com qualquer tipo de violência. Ele prima pelo respeito à dignidade da pessoa humana em primeiro lugar.
 
O senhor é a favor da Reforma da Previdência?
Se fosse colocada a proposta como foi apresentada, eu votaria contra o texto original, mas é importante que a população entenda a necessidade de uma nova previdência social. No formato que está, infelizmente, o Brasil não se sustenta. Hoje o Brasil não dá essa segurança fiscal. Nossa economia não está legal. Não está segura. Imagine aquele trabalhador rural que lida de sol a sol. Para o país não vai fazer diferença esse aumento, mas para vai penalizar muito o trabalhador. Podemos propor algo intermediário. Essa reforma vai atingir a  todos. Quem ganha mais vai pagar mais, mas quem ganha pouco também vai pagar. Por isso que vamos analisar, discutir e apresentar a melhor proposta para todos.
 
E a Reforma Tributária?
Falei sobre isso semana passada, na minha estreia como membro-titular da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados. Venho da iniciativa privada, do canal alimentar, que engloba atacadistas, distribuidores e supermercadistas e sei que hoje a conta está difícil de fechar. Precisamos com urgência de uma reforma tributária que dê segurança fiscal tributária aos nossos negócios. Isso vale para o micro, pequeno, médio e para o grande empresário. Estes empresários nos enxergam como salvadores da Pátria. Esta comissão é importante neste sentido porque discute o impacto e a compatibilidade das despesas financeiras e orçamentárias da União. Represento um povo muito trabalhador e que apesar das inúmeras dificuldades empreendem, movimentam a economia, geram emprego e renda em todos os municípios do país, mas a alta carga tributária é motivo para que estas empresas fechem. Busco a solução para este problema