Entrevista: Álvaro Guimarães

5 de novembro de 2018

Com 23.788 votos, Álvaro Guimarães foi eleito pelo Democratas, partido de Ronaldo Caiado, para o seu sétimo mandato na Assembleia Legislativa de Goiás. Álvaro, que é de Itumbiara, falou com exclusividade ao Hora Extra sobre sua vida política; os momentos difíceis de quando foi acusado de atentar contra a vida de seu concorrente político; sua decisão de concorrer ao cargo máximo da Alego e sobre o que espera do futuro Governo Bolsonaro.

 

Hora Extra: O sr foi reeleito agora para seu sétimo mandato como deputado estadual, como foi sua trajetória na política?

Álvaro Guimarães: Isso foi há muitos anos, eu comecei com 22 anos de idade em 1972, em uma eleição de prefeitos e vereadores lá da minha cidade. Eu fui convidado pelo candidato a prefeito, naquela época o Zenon Borges Guimarães que é meu parente para que eu saísse candidato a vereador e eu aceitei e acabou que eu tive nessa primeira eleição 509 votos e me tornei vereador.  Aí eu fiquei 10 anos como vereador, fui presidente da Câmara, foram dois mandatos um de quatro anos e um de seis anos e dois anos como presidente da câmara de Itumbiara. depois eu me candidatei em 1982 a prefeito da cidade de Itumbiara, foi naquele ano do voto vinculado e acabou que eu perdi a eleição. Em 1986 eu fui convidado pelo Mauro Borges Teixeira que foi candidato a governador. Ele me convidou para eu sair candidato a deputado estadual, naquela época pelo o PDC – Partido Democrata Cristão e acabou que o com o número 1771 eu ganhei a eleição em 1986 e aí vim para Assembleia em 1987. Depois me tornei deputado constituinte, e foram mais seis mandatos e agora fui reeleito para o sétimo.

HE: O sr também esteve no executivo…

AG:Eu fui também secretário de agricultura no governo Maguito, fui presidente do Detran também no Governo Maguito e fui secretário Institucional do Governo Marconi Perillo. Em Itumbiara em fui secretário de Finanças da Secretaria Municipal. São anos e anos de muitas disputas, uma hora perdendo outra ganhando e estou aqui para exercer esse mandato que nós adquirimos agora nesse ano de 2018 com muita dificuldade. Você veja que só 50% dos deputados conseguiram a reeleição e eu passei por esse sufoco, mas se Deus quiser vamos fazer um trabalho bom neste mandato.

HE: O sr. fala em sufoco, e nós tivemos uma renovação de 50% aqui na Assembleia esse ano, essa campanha foi a mais difícil para o sr? Digo porque o sr foi o único reeleito da região sul do estado….

AG: Olha, na minha vida tudo foi muito difícil. Eu fiquei órfão de pai aos 17 anos me tornei independente através de uma emancipação que minha mãe me levou ao cartório e assinou para que eu tomasse conta da minha família, para que eu fosse o líder de 9 irmãos da minha família e depois foi essa luta de 1972 até hoje. Mas lá em Itumbiara eu tenho sofrido muito, primeiro foi a eleição de prefeito em que o governador da época – Marconi Perillo – me prometeu que não iria em Itumbiara, porque nós estávamos em duas candidaturas da base, o ex-prefeito José Gomes e outra encabeçada por mim que era da base do governo – porque eu sempre votei com o governo – só que ele não aguentou a pressão deles e ele acabou indo lá pedir votos para Zé. Ele foi na convenção, o vice-governador foi também, e na época que o Zé Gomes sofreu aquele atentado o próprio vice-governador estava lá na carreata em cima do caminhão também foi atingido e o Zé acabou perdendo a vida, e aquilo realmente foi um sufoco para todos nós, uma comoção muito grande.

HE: Na época do atentado ao Zé Gomes se ventilou que o sr. poderia ter algo a ver com o atentado, que poderia ser um atentado político, como foi para o sr essa época?

AG: Muito de seus aliados tentaram jogar o crime em cima de um bode expiatório para ser responsável pelo crime e insinuaram que poderia ser eu, gravaram áudio me chamando de criminoso e assassino e acabou que eles ganharam a eleição, e esse prefeito que está lá hoje – que era deputado – ele sem pedir nenhum voto, ele se tornou prefeito, nem a foto dele estava na urna, o cidadão de Itumbiara então votou para o Zé gomes. E depois disso, o governo através de entrevistas nas rádio e televisões e jornais, disse que a motivação era política e aí virou um inferno e todo mundo querendo saber qual o político e eles tentaram me responsabilizar pelo crime e o governo não fez nada. Eu estive várias vezes com o governador e ele dizia na época que estavam investigando – eles mandaram mais de 13 delegados e mais de 50 agentes de polícia – para investigar, ouviram mais de 300 pessoas, ouviram parentes meus, e eu fiquei refém na minha própria casa com polícia me dando segurança e depois de 60 dias eles foram para a televisão e disseram que a motivação do crime era pessoal. Mas eu fiquei 60 dias sofrendo e foi muito difícil para mim.

HE: E foi aí que o sr. rompeu com a base aliada?

AG:Depois de sofrer tantas injúrias aí eu não tive clima mais com o governo. E o governo começou a retaliar minha região tirando apoios que eu tinha, prefeitos que estavam comigo, aí eu cheguei à conclusão que eu precisava abandonar aquele barco. Depois de 23 anos no PR com o número – fui eleito cinco vezes pelo PR com o número 22122 eu fui obrigado a sair do partido, mesmo porque recebi um convite importante do Ronaldo Caiado – senador na época – dizendo que precisava da nossa presença no partido dele, o Democratas, e eu analisei junto de meus assessores e de minha família, claro, e acabou que o passo que eu dei foi um bom passo, já que o barco de lá, furou. Aí claro, começou uma perseguição maior ainda, né?  Exoneraram todos os funcionários que eu indiquei para trabalhar no Governo, as minhas emendas não foram nenhumas pagas, e para eles eu fiquei sendo inimigo. Como presidente das duas comissões importantes eu nunca votei contra esse governo, deveria ter votado só contra e distribuído processos só para adversários do governo, mas eu não fiz isso. Mas Deus iluminou meu caminho e o Ronaldo foi eleito, o deputado federal que apoiei foi eleito, senador nós perdemos com o Wilder, mas ganhamos com o Kajuru e o Ronaldo ganhou sobrando voto. Então agora é torcer que o Ronaldo faça mudanças necessárias, mudanças que o povo de Goiás espera, o povo espera muito de Ronaldo Caiado. Este governo já estava um tanto quanto desgastado, deteriorado e por isso o Ronaldo tem que acertar, não pode errar. O povo depositou a confiança, o voto, todo nele e ele terá de acertar e eu estarei junto dele para ajudar, para ele conseguir as mudanças que ele pretende fazer para o nosso estado.

HE: O sr já se colocou como candidato à Assembleia Legislativa para o próximo biênio, como está sendo feita essa campanha? O Sr é o candidato de Ronaldo Caiado?

AG: Olha, para surpresa minha, eu quando decidi ser candidato a presidente da Assembleia o primeiro que eu conversei foi com o Ronaldo Caiado que é o governador eleito de Goiás e com o Lincoln Tejota que é meu colega aqui e é o vice governador eleito, e eu de cara, recebi deles o apoio, eles disseram: “vai à luta que nós estaremos aqui para te apoiar”. Depois eu saí e tinha muitos deputados que estão tentando também ser o candidato, mas eu com esse jeito que eu tenho de muitos anos aqui, de amizades, de credibilidade, comecei a conversar e comecei a receber apoios. Hoje eu posso falar para você, se Deus não mandar ao contrário, nós temos hoje ao menos a confirmação e muitas respostas positivas de deputados em relação a minha campanha. Eu tenho o apoio hoje de todos os deputados federais que foram eleitos agora no último dia 7 de outubro. Tenho apoio dos senadores que vão ocupar cadeiras lá no Senado, eu tenho apoio do presidente da Assembleia, o deputado José Vitti, eu tenho apoio de quase todos os deputados que estão deixando a Assembleia, que não se reelegeram, mas são meus amigos e está me ajudando, e tenho apoio hoje da grande maioria de deputados que foram eleitos também. Então eu posso dizer a você que eu estou esperançoso no sentido de ter um resultado positivo no dia 1ª de fevereiro. O problema maior é que nós estamos ainda muito distantes do dia do pleito, da eleição. Tem um rapaz hoje que me falou assim: “por que você não faz como o José Vitti que foi eleito seis meses antes da eleição?”. Era diferente, porque nós estávamos no meio do mandato, se eu for eleito, eu vou ser eleito pelos deputados novos e os antigos que se reelegeram. Então primeiro nós teremos que tomar posse no dia 1ª de fevereiro, a partir do momento que tomarmos posse é que acontecerá a eleição para a mesa diretora que dirigirá a Assembleia Legislativa para esse próximo biênio em Goiás.

 

HE: Mas o resto da composição, a mesa diretora, já tem nomes?

AG: Então baseado nisso a gente tem que continuar trabalhando e conversando, nós já temos praticamente a mesa pronta, a indicação, eu não vou dizer agora para não desgastar, mas nós já temos a confirmação aí de todas as secretarias e também da primeira vice e segunda vice. Então nós estamos bem à frente do que eu imaginava porque eu pensei que ia ser muito difícil, porque é um direito de todos os deputados pleitearem a presidência, pleitear um cargo na mesa diretora. Acho que esse tempo todo que eu estou aqui também, de ter sido deputado por tantas vezes, deputado constituinte, deputado que já ocupou quase todos os cargos da ALEGO, agora essa Comissão de Constituição e Justiça e também a Comissão Mista, eu penso que me deu uma estrutura grande para que eu pudesse trabalhar e pedir votos aos meus colegas deputados. Eu acho que não vai ter problema, se tiver, é de agora para frente. Mas até agora está muito bom.

HE: E os deputados da oposição, não vão lançar nome?

AG:Todos os deputados de oposição já estão acertados conosco do PSDB e do PMDB, da maioria que apoiou as outras chapas. São colegas meus de muitos anos, por isso eu não tive dificuldade para conversar com cada um e botar meu plano de presidir esse poder que é o segundo maior poder do estado. Eu quero trabalhar em harmonia em paz com todos eles, dando direito aqueles que tem direito. Eu serei um presidente igualzinho ao que eu sou das outras duas comissões, presidente imparcial, dando direito a fala, sendo transparente. Até agora está dando muito certo.

HE: O sr. sendo por tantos anos da Base Aliada do Governo Marcono sabia desse enorme rombo que agora tem sido descoberto?

AG: Eu não tinha muita afinidade com esse pessoal do governo, a prova disso é que eu cansei. quantas vezes eu fui às secretarias e eles me empurravam para amanhã, para depois, então eu não tinha conhecimento. Eu cuidava da minha obrigação aqui na Assembleia, votando os projetos do governo, trabalhando na comissão de Constituição e Justiça e na Comissão Mista para viabilizar todas as propostas do governo, mas lá no governo em si, nas Secretaria da Fazenda, nos órgãos importantes do governo eu não tinha as informações que precisava ter. Não sei se outros deputados tiveram  essas informações na época, mas esse governo vem sofrendo e se desgastando há muitos anos. Arruma uma coisa aqui, outra acolá, pagando juros caros e não resolve a questão, resolve pela metade, muito dinheiro jogado pelo ralo, dinheiro que precisava ser usado em prioridades. Hoje a saúde pública do estado de Goiás é uma vergonha nacional. Nós estamos aqui todos os dias trabalhando para arrumar uma vaga de UTI, uma vaga para uma cirurgia, então é uma lástima ao que tange a saúde. Me parece que tem mais de R$700 milhões de reais vencidos para pagar essas O.S, médicos, enfermeiros, profissionais. Então, esse governo acabou há muito tempo. Eu vinha desconfiado que esse governo não teria nenhuma chance de vitória já algum tempo. Por isso eu tomei uma decisão acertada. Por isso, para você ter uma ideia, onde eu represento eles perderam tudo. Nas últimas eleições eles ganharam tudo. Agora perderam estaduais, federais, senadores, o presidente da República. O povo não está levando desaforo para casa mais, e a chance do povo de vingar a má administração desse governo foi nessa eleição. E por isso aconteceu o desastre eleitoral que todo mundo já sabe e dificilmente se o Ronaldo Caiado acertar nas propostas que fez na campanha esse pessoal irá voltar ao poder.

HE: Com esse rombo, o sr. acha que o governador Ronaldo Caiado vai ter dificuldades para governar?

AG: Dificuldades estão à vista para todos nós. Inclusive o Ronaldo está pedindo para todos nós para que prorrogarmos essa luta que nós tivemos para votar esse orçamento impositivo e o Ronaldo agora está pedindo misericórdia para ver se a gente empurra isso mais para frete para ver se dá uma folga para ele, ao menos, por esse primeiro ano para ele administrar e para ele pagar as dívidas e as ações prioritárias do governo na saúde, na educação, o funcionário público. A notícia que eu tive é a de que o funcionário público pode não receber seu décimo terceiro e parte do pagamento de salário em novembro e dezembro. O Lívio Luciano está fazendo o relatório do nosso orçamento do ano que vem, e ele está sempre em contato com os técnicos da SEFAZ e dificilmente o governo vai ter dinheiro porque vai ter um impacto grande, agora, vai aumentar a folha de pagamento. Só na folha de pagamento terá de pagar R$150 milhões a mais e ele não tem dinheiro, já está parcelando o pagamento do salário.  A dificuldade será enorme e eu acho que todos os deputados teremos que entender e teremos de dar a mão ao Ronaldo Caiado para que ele possa ter um pouco de liberdade, um espaço para trabalhar, para colocar os carros nos trilhos.

HE: É verdade que irá existir um decreto demitindo todos os comissionados do governo?

AG: Irá claro ter um decreto demitindo os comissionados no dia 31. Certamente ele [Ronaldo] vai demorar alguns dias para nomear comissionados só que ele vai ter que nomear, só que o estado tem muitos concursados que são aposentados, ele vai ter que fazer nomeações., mas ele terá cautela, ele só vai nomear aqueles que realmente têm necessidade de trabalhar.

HE: O que o sr achou da eleição para presidente? O sr acha que Jair Bolsonaro fará um bom governo?

AG: O povo mandou um recado para os políticos. Principalmente aqueles que não cumpriram as suas obrigações. Deixaram de respeitar os votos que receberam e por isso muitos foram retirados de circulação como políticos. Isso a gente vê como exemplo o Estado de Goiás em que deputados federais foram investigados, né? Então o povo mostrou para todos nós que se você não cumprir sua obrigação, amanhã estará fora também. Eu falo para os novos deputados estaduais que vão assumir agora: olha, o povo está de olho. Observado e cobrando. A minha esperança é que o povo possa ter acertado na escolha, você falou sobre o PT. Esses votos que o PT recebeu não são só votos do PT não, se fossem só votos do PT eles teriam feito mais deputados estaduais e federais, então ali existiam duas candidaturas. Nós tínhamos naquele quadro de disputa candidatos com condições de fazer administrações melhores do que esses dois que ficaram por fim. O eleitor que votou no Bolsonaro votou para ver se acaba a corrupção que era a proposta do Bolsonaro: tolerância zero com a corrupção. E o que votou no Haddad ele votou vendo que os defeitos do Bolsonaro e juntou ao PT para votar no Haddad. E ficou o Haddad fazendo de mocinho para que o povo acreditasse nas propostas dele e do outro lado um candidato um tanto quanto rebelde que mostrava não ter tolerância com coisa errada e que seria um presidente que faria a economia crescer porque não vai deixar ninguém roubar, ninguém desviar dinheiro. Para que o Brasil possa crescer nos próximos anos. Eu quero acreditar nessa proposta. Eu não pedi voto para ninguém na minha campanha para presidência da república; Agora, eu torço muito para que o Bolsonaro faça aquilo que ele se propôs. Que ele não deixe ao menos que se desvie o dinheiro para que possamos ter uma saúde de qualidade, uma educação de qualidade, saneamento básico e um mercado de trabalho para todos.