Sobre as pessoas que posam de equilibradas e sábias dizendo que Bolsonaro “colheu o que plantou” ao receber uma facada

7 de setembro de 2018
Félix Soibelman
por

Presidente da ASBI - ASSOCIAÇÃO SIONISTA BRASIL-ISRAEL. Advogado, editor e atualizador da Enciclopédia Jurídica Soibelman. Primeira obra eletrônica a ter a imunidade tributária reconhecida pelo STF.

Sobre as pessoas que posam de equilibradas e sábias dizendo que Bolsonaro “colheu o que plantou” ao receber uma facada

O falso moralismo cármico que embute uma deformação contra a vítima.

A esquerda não sabe o que fazer contra o duro golpe lançado sobre si pelo atentado, que inverteu os polos da  estereotipia por ela perseguida, de chamar Bolsonaro de radical.

  Como recurso bastante pusilânime em alguns, e simploriamente inconsciente noutros, tem surgido, vergonhosamente, a afirmação de que o atentado seria uma espécie de retorno cármico, uma devolução a Bolsonaro da violência supostamente por ele enaltecida.

  Pessoas que afirmam isto o fazem sob as vestes plácidas de quem está empregando um comedimento, um apelo à não radicalização, ao equilíbrio, etc., e, sob esta aura, empregam a falácia da pressuposição, isto é, deixam pressuposta a ideia de que está correto que Bolsonaro pregaria algum tipo de violência correspondente ao atentado contra ele perpetrado, sendo esta a mensagem subliminar que querem passar, embebida nessa hipocrisia do bom-mocismo, o que torna muito mais venenoso o discurso.

  Bolsonaro nunca pregou a violência sem direção e muito menos como arma política. Seu discurso é de severidade e violência contra criminosos. Porém, na generalização tola que estas pessoas que alegam o retorno cármico fazem, querem estender suas palavras contra gays, mulheres, etc.

Justificar um atentado esta falsa lente cármica, como se fossem as pessoas que o fazem juízas morais aptas a emitir condenações e tivessem o discernimento absoluto, é um verdadeiro atentado contra a moralidade, o que as coloca, no campo moral, na mesma posição do esfaqueador em relação ao direito à vida e à incolumidade física de sua vítima.

  Um professor de Direito já disse que a Constituição brasileira deveria ter apenas um artigo: “todo brasileiro deve ter vergonha na cara. Revogam-se as disposições em contrário”