PSL Goiás: o pirata muda, o papagaio continua o mesmo

10 de março de 2018
Foto: Google

O deputado Waldir Soares é um caso curioso. Possui todo o comprometimento do mundo consigo mesmo, uma imensa fidelidade à própria carreira e todo o desprendimento de alguém que sacrificaria o mundo pelo seu umbigo.

Em 2010 colou sua imagem a do então pop star Demóstenes Torres. Andava por Goiás como se fosse um primo esquecido do então senador, finalmente reunido à família. A estratégia deu parcialmente certo: conseguiu 40 mil votos, mas não uma cadeira na Câmara, ficando como suplente. Mas para quem, até então, nada era, passara a ser alguma coisa.

Entre 2010 e 2014, com o aumento da força da internet na política e a oposição ao PT florescendo, apareceu nas redes sociais fazendo dublê de candidato e apresentador do Cidade Alerta. No reboque da operação Monte Carlo, que levou seu ex-amigo Demóstenes Torres à ruína, mostrando prováveis ligações deste com contraventores, Waldir prontamente se afasta do antigo mentor e se apresenta como um “voto de protesto”, uma espécie de rinoceronte Cacareco ou macaco Tião com distintivo.

Se elege alegando ter gasto somente 380 mil reais, a despeito da estrutura paquidérmica de sua campanha, fora a ajuda de seu novo amigo, o governador Marconi Perillo. Foi o deputado mais votado de Goiás e, cacifado por esta posição, colocou na cabeça que seria prefeito de Goiânia, a despeito da opinião dos seus então colegas de partido.

Talvez por ser um forasteiro que até hoje não captou a essência cordata e leal do povo de Goiás, pressionou seu partido ao limite da ruptura, sendo tão deselegante com os tucanos do estado a ponto de declarar em uma entrevista que o partido era um ajuntamento de “tucanos de bicos aerados”, um bando de gente que dependia dele, através de repasses do fundo partidário, até para “pagar o papel higiênico que usavam e a água mineral que bebiam”, afirmando, em tom sempre bastante democrático, que no partido dele, “não se pode criticar quem paga a conta”.

De tão insustentável que ficou sua situação, saiu do PSDB e foi levar seus serviços para o PR, partido do mensaleiro Valdemar da Costa Neto, tendo sempre em mente a sua nova obsessão de comandar Goiânia. Só que, mal chegando, tratou de correr para tentar puxar o tapete da deputada Magda Mofatto, que havia sido a responsável pelo convite para que ele se filiasse ao PR, procurando Valdemar para tomar o lugar desta no comando do partido em Goiás.

É lealdade a toda prova.

Se deu mal, mas apesar disso conseguiu a candidatura que tanto desejava, apenas para ver seu capital político encolher 100 mil votos em Goiânia. Foi salvo pelo gongo de terminar em último na eleição para prefeito, já que vinha perdendo uma média de 25 mil votos por semana segundo as pesquisas.

O desempenho pífio acendeu o sinal de alerta: com a classe média politizada percebendo seu padrão de conduta, estava na hora de se pendurar em outro ombro, porque se continuasse no PR o papagaio de pirata poderia terminar sem mandato e sem alpiste. Waldir Soares, o delegado, precisava arrumar uma estratégia urgentemente.

Correu então para os braços da popularíssima candidatura de Jair Bolsonaro, se apressando em montar uma operação para tomar de assalto o PSL do estado, assumir seu comando e consequentemente ter controle total sobre o fundo partidário.

Talvez para daqui a um tempo – caso seja contrariado ou, mais ao seu estilo, desobedecido – possa dizer novamente que seus companheiros de partido dependem dele até para, vejam vocês, irem ao banheiro.

Alguém duvida?