Feminicídio: até quando, Brasil?

12 de setembro de 2018
Gisele M. Machado
por

Coach de Relacionamento e Palestrante Motivacional

Se você não for minha, não será de mais ninguém. De onde vem essa posse? Onde está a origem dessa distorção? Desde quando a mulher é coisa, para ser considerada patrimônio material? Até quando a vida humana será banalizada e desrespeitada? Chega né Brasil, está tudo errado.

Essa cultura de que o homem pode tudo, de que é um ser superior, e a mulher é um mero adereço, está equivocada. O erro começa na criação. Os pais fazem essa distinção nítida com seus filhos. São regras estabelecidas desde a tenra infância. O menino tem que ser forte, não pode chorar, não pode manifestar qualquer tipo de sentimento porque significa fraqueza. Como assim? A dor independe de gênero, se masculino ou feminino. Dor é dor. Meninos não brincam de casinha e muito menos de boneca. Por isso, não aprendem a ajudar as esposas e nem se preparam para serem pais. Esse é um universo em que eles desconhecem.

Admiro homens que ajudam nas tarefas domésticas e na criação dos filhos, homens que aprenderam com seus pais que esse era o certo. Homens que não têm vergonha de assumirem sua masculinidade, sendo humanos. Quando criamos nossos filhos com essa consciência, eles se tornam homens admiráveis porque sabem respeitar e colaborar. Um outro ponto a ser observado na desvalorização da mulher, é que a própria, acredito que sem perceber, incentiva músicas pejorativas, que denigrem a sua imagem, dançando até o chão. O ritmo pode até ser bom, mas as letras diminuem demais o valor que elas têm. Com isso, incentivam a cultura de que elas não valem nada, que não passam de objeto de prazer, de uma coisa que pudesse ser usada e descartada.

A resposta a tudo isso está na mudança radical de nossa cultura. Os pais têm que ensinar seus filhos (meninos e meninas) que os direitos são iguais, a capacidade idem e principalmente o respeito as diferenças. Não podemos ser seletivos e só respeitar o que nos convém. Temos que destruir preconceitos errôneos que levaram a essa distorção e viver em harmonia e em paz. Para acabar com esse feminicídio tão abominável, devemos preparar nossos filhos para acolherem e suportarem as frustrações. Criar os filhos dentro do limite com afeto, ensinando que na vida se ganha e se perde. Se um relacionamento não deu certo, parte para outro e é vida que segue. Fazer que nossos filhos se sintam pertencentes e amados. Ouvidos na sua essência e respeitados, enfim, ter um zelo com esses seres que quiseram vir a esse mundo, mas muitas vezes não são cuidados, e que não tem, não sabe dar. Fica a dica.