Domingo de grandes decisões

7 de outubro de 2018
José Mario Carvalho dos Santos
por

Graduado em Administração de Empresas. Especialização em Gestão Estratégica de Empresas. Orientador em Finanças Pessoais pelo Forex (2001). Educador Financeiro, Assessoria, Orientação, Organização e Planejamento Financeiro. Diretor da consultoria Clínica de Finanças.

Na mais recente coluna para esse jornal perguntei se o seu político conseguirá cumprir o que promete. Dentre as promessas mais visíveis e estapafúrdias, listei algumas. Hoje vamos analisar a situação da economia sob a visão dos eleitores. O que poderá ser feito para que se retome o crescimento econômico?

O Brasil é um país de números superlativos. Somos aproximadamente 208 milhões de pessoas, espalhadas pelos 5.570 municípios brasileiros. Isso pode ser bom, mas também pode se transformar num problema. Esse contingente com pleno emprego e renda satisfatória renderia uma arrecadação absurda ao país, o que proporcionaria investimento em infraestrutura e melhoria nas condições gerais de vida da população. Mas, infelizmente, não é essa a realidade.

O Brasil apresenta estatísticas vergonhosas em alguns quesitos. Os inadimplentes (devedores) são praticamente 62 milhões de pessoas, algo como 40% da população adulta. O valor total que essa gente deve, majoritariamente para o sistema financeiro, ultrapassa os R$ 270 bilhões. Daria para cobrir o apavorante déficit da Previdência brasileira. Contamos, também, com praticamente 13 milhões de pessoas aptas a trabalhar, a famosa “força de trabalho”, sem ocupação. Isso equivale a uma Bélgica. O Impostômetro, ferramenta da Associação Comercial de São Paulo que mede a arrecadação tributária do Brasil em tempo real, acusava R$ 1,761 trilhão em tributos recolhidos pelos brasileiros até o momento em que eu escrevia essa coluna (quinta-feira, 04/10, pela manhã). É muito dinheiro. No ano passado o brasileiro precisou trabalhar 153 dias somente para pagar seus impostos.

Voltemos à coluna anterior. Nela eu apontei que um candidato à presidência da República promete, sem rodeios, que criará 10 milhões de vagas para emprego. Eu dizia que isso é praticamente impossível, e agora apresento o motivo da constatação: entre os anos de 2014 e 2016, no auge da crise, o Brasil perdeu 293,5 mil empresas! São empreendimentos que se tornaram inativos no país (fecharam ou paralisaram sua atividade). A redução do pessoal ocupado assalariado foi de 1,6 milhão de vagas. Atualmente estamos observando uma pequena recuperação, nada que consiga contrabalançar essa legião de desempregados. Os dados são do IBGE.

Portanto, leitor, nesse domingo de eleições você é quem decide se esses números se reverterão. Analise com critério o que aconteceu no país nos últimos anos. Procure entender, saindo um pouco da espuma da superfície, os motivos que nos levaram a apresentar números tão horríveis. Não permita que isso se repita. Gestão séria e eficaz dos recursos públicos (o meu, o seu, o nosso dinheiro) é fundamental para que obtenhamos serviços públicos de qualidade e, consequentemente, tranquilidade para trabalhar e tocar a vida. As futuras gerações nos agradecerão por isso.