Clínica de Finanças – Idosos: vítimas da sua boa-fé

4 de novembro de 2018
José Mario Carvalho dos Santos
por

Graduado em Administração de Empresas. Especialização em Gestão Estratégica de Empresas. Orientador em Finanças Pessoais pelo Forex (2001). Educador Financeiro, Assessoria, Orientação, Organização e Planejamento Financeiro. Diretor da consultoria Clínica de Finanças.

Incluído no grupo dos consumidores hipervulneráveis juntamente com as crianças, o idoso é sempre alvo de vigaristas, vendedores oportunistas, funcionários de bancos mal-intencionados. É uma classe muito visada pelos bandidos já que possuem grande participação na concessão de crédito consignado no Brasil. O número de ocorrências só faz crescer no país, implicando que autoridades e, principalmente, familiares tenham que ficar com os olhos bem abertos.

A inocência, boa-fé e a ingenuidade dos idosos se apresenta como um prato cheio para golpistas, principalmente aqueles de boa conversa. Os empréstimos consignados fraudulentos – em que alguém se apresenta como funcionário de banco, mas não é – e o golpe da revisão da aposentadoria são os que mais chamam a atenção das autoridades.

No caso do golpe do empréstimo consignado, a ação é rápida e eficaz: alguém se apresenta como funcionário de um banco ou financeira podendo, inclusive, apresentar identificação falsa, e oferece crédito. Depois de tomar todos os dados bancários da vítima, os bandidos tratam de entrar na conta-corrente da vítima e sacar o saldo ainda disponível.

Essas ações interferem profundamente na vida das vítimas. Invariavelmente são pessoas que possuem uma renda restrita, orçamento apertado. Ao cair no golpe, ou perdem praticamente todas suas economias, ou passam a pagar parcelas com juros extorsivos, isso quando não precisam refinanciar aquela operação que foi objeto do crime. Seja qual for o tipo de fraude, uma coisa é certa: a vítima é sempre penalizada.

Mas como minimizar os riscos e se defender de pessoas inescrupulosas? Alguns conselhos fundamentais:

  • Quando contratar um empréstimo ou financiamento: faça somente em casos de extrema necessidade. O crédito é um produto caríssimo no Brasil. Não dá para ficar brincado de tomar dinheiro em banco, principalmente se a finalidade não for definida e de caráter importante;
  • Planejamento: o interessado precisa entender que além das despesas que já possui ele adicionará a parcela da operação que vai contratar. Portanto, é preciso ter conhecimento profundo do seu orçamento e se precaver contra eventuais sobressaltos e despesas não previstas;
  • Tomar empréstimos para terceiros: o famoso ‘emprestar o nome’. Trata-se de uma prática comum no Brasil, principalmente ajudando parentes e amigos, mas não é recomendável. É preciso entender que toda a operação será feita em seu nome, e será o seu CPF que balizará a operação. Qualquer problema de pagamento e será o titular da operação o responsabilizado.

Além disso, há as recomendações para familiares auxiliarem nesse processo, aconselhando aquelas pessoas que não se desincumbem muito bem com tecnologia:

  1. Nunca forneça seus dados bancários (agência, conta, senha…), principalmente por telefone;
  2. Sempre desconfie de ligações propondo operações financeiras (empréstimos);
  3. Ao menor sinal de dúvida, procure orientação;
  4. No caso de pessoas idosas, procure se cercar de parentes para aumentar a segurança.

Na eventualidade de identificar ter sido vítima de uma possível fraude, formalize imediatamente um Boletim de Ocorrência. Adiante, consulte o Procon ou, dependendo do porte do prejuízo, proponha ação judicial de reparação. Reaver o dinheiro perdido tem muita relação com negociação. É de direito, mas nem sempre dessa forma o problema é resolvido. Assim, muitas vezes, o Judiciário passa a ser a via recomendável para a solução do conflito. Lembramos que o tempo decorrido para resolução poderá ser longo. Por isso, máximo cuidado e prevenção são atitudes recomendáveis.