Clínica de Finanças: Como está sua preocupação com a aposentadoria?

1 de abril de 2019
José Mario Carvalho dos Santos
por

Graduado em Administração de Empresas. Especialização em Gestão Estratégica de Empresas. Orientador em Finanças Pessoais pelo Forex (2001). Educador Financeiro, Assessoria, Orientação, Organização e Planejamento Financeiro. Diretor da consultoria Clínica de Finanças.

A Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) publicaram resultado de pesquisa levantada em parceria com o Banco Central do Brasil onde, de cada dez brasileiros, seis admitem não estarem se preparando para a hora de aposentar. O orçamento apertado é a principal justificativa. A condição de estar desempregado também pesou no resultado da pesquisa.

A lamentar nesses dados é que eles não produzem surpresa alguma. Eles ilustram bem como os brasileiros tem lidado (mal) com finanças e planejamento financeiro. Porém, a partir de agora – e principalmente para os mais jovens – será importante o trabalhador brasileiro definir uma estratégia para que possa gozar uma aposentadoria decente, com renda compatível com suas necessidades.

A pesquisa mostrou que, invariavelmente, a resposta mais ouvida é de que não conseguem tirar nada do orçamento para garantir o futuro. Isso comprova duas características do brasileiro médio: o consumismo imediato, negligenciando o futuro, e a desinformação sobre o que acontece em termos econômicos, incluindo aquilo que é vital para si e seu futuro.

Outro dado desalentador é o fato de 35% dos entrevistados terem afirmado que os recursos do INSS servirão de renda na velhice. As regras e fórmulas que norteiam o cálculo da aposentadoria, pelo menos atualmente, são extremamente prejudiciais ao trabalhador e o induzem a pensar de que se aposentará com o equivalente ao último rendimento da ativa, o que é um engano enorme para a maioria dos que se aposentam.

O estudo também buscou saber de que forma os brasileiros lidam com situações financeiras inesperadas. Quatro em cada dez (42%) teriam condições de cobrir despesas extras equivalentes ao seu ganho mensal, sem recorrer à ajuda de terceiros ou a empréstimo. 39% não seriam capazes de arcar com gastos imprevistos desse montante.

Os que afirmam que conseguiriam cobrir despesas extras no caso de dificuldades financeiras disseram que conseguiriam sustentar, em média, até cinco meses o padrão de vida atual. Entre todos os respondentes da pesquisa, 20% não saberiam por quanto tempo manteriam o mesmo patamar.

Na eventualidade de enfrentar algum problema financeiro, 47% cortariam despesas desnecessárias, enquanto 33% avaliariam quanto ganham e gastam para decidir o que fazer. 13% reconhecem que não saberiam por onde começar.

“É preciso entender que em certas situações emergenciais, nem mesmo cortar gastos será suficiente. Manter uma reserva financeira é fundamental em qualquer etapa da vida, pois imprevistos podem acontecer. Recomenda-se disciplina para começar, mesmo que seja com um valor pequeno”, reforça Luis Mansur, chefe do Departamento de Promoção da Cidadania Financeira, do Banco Central.