Aumenta a retomada de imóveis por inadimplência

9 de setembro de 2018
José Mario Carvalho dos Santos
por

Graduado em Administração de Empresas. Especialização em Gestão Estratégica de Empresas. Orientador em Finanças Pessoais pelo Forex (2001). Educador Financeiro, Assessoria, Orientação, Organização e Planejamento Financeiro. Diretor da consultoria Clínica de Finanças.

O número de imóveis retomados pelos bancos disparou nos últimos anos. Desde o início de 2014, as cinco maiores instituições financeiras do país retomaram 11 bilhões e meio de reais em imóveis por falta de pagamento. Estima-se que o estoque de imóveis a serem leiloados pelos bancos (casas, apartamentos, salas comerciais) supere a marca de 70 mil unidades.

Mas o que tem levado a esses números absurdos? Basicamente a situação econômica por que passa o país e a já reconhecida característica do brasileiro de não se programar quanto a gastos, principalmente os de maior monta. A falta de planejamento financeiro antes de adquirir qualquer bem de preço mais elevado é uma das razões que levam a essa inadimplência absurda. As pessoas, normalmente, avaliam a sua situação momentânea para decidir se financiarão a compra do imóvel. Esquecem de considerar variáveis que estão fora do seu horizonte, como o risco de desemprego, a queda da atividade econômica e, mais importante de todos, os efeitos que o sistema de juros compostos produz nesse tipo de operação de crédito.

Em virtude de inadimplência, hoje os bancos possuem ferramentas legais que garantem o seu direito de posse/propriedade do imóvel. Há casos em que esse processo dura apenas 90 dias. É um perigo para o mutuário que atrasa prestações e não procura o banco para renegociar as parcelas pendentes. A ‘retomada’ se dá através do despejo do morador/mutuário, com imediato leilão do bem imóvel para que seja satisfeito o direito do banco financiador. Pode ser um processo rápido e traumático para o mutuário.

Outro ponto para o qual não é dada a devida importância é sobre os custos envolvidos nesses trâmites. Enquanto estiver de posse do imóvel, é o mutuário quem se responsabiliza pelas despesas da moradia (água, luz, telefone, IPTU, parcelas do financiamento, taxas de condomínio, etc.). Após a retomada, o banco financiador regulariza tudo isso e leva o imóvel a leilão. Normalmente, cada banco já tem seu leiloeiro credenciado para esse processo.

Para quem for adquirir um imóvel nessas condições (leilão) o cuidado deve ser redobrado. Ele envolve, basicamente, conferir a documentação do imóvel. Um exemplo é o caso de leilão de imóvel situado em Condomínio: no caso de nova venda, essa só poderá ser realizada após todas as taxas condominiais estarem quites, pois a escritura só é lavrada após uma declaração específica de autorização do Condomínio, informando que o imóvel está sem atrasos de nenhuma espécie.

Por fim, se você está com problemas para manter regularizado o pagamento das parcelas do seu financiamento imobiliário, todo cuidado é pouco. Procure imediatamente o banco financiador, converse com seu gerente, proponha uma forma de renegociação das parcelas atrasadas.

É sempre bom lembrar que não interessa ao banco manter estoque de imóveis em seu poder. Esse não é o foco do seu negócio.