A Mulher–Maravilha e a Psiquê Feminina

13 de março de 2018
Gerlaine Moura
por

Gerlaine Moura é psicóloga, psicoterapeuta cognitivo-comportamental, coach e idealizadora dos projetos: FloreSer Feminino e CorAção de Mãe. Trabalhar com grupos femininos, viajar, estudar psicologia positiva, mitologia e simbologia estão entre suas paixões.

Assistindo ao filme da heroína amazona- Mulher-Maravilha – , podemos perceber alguns aspectos que chamam bastante atenção: o primeiro é o quanto podemos nos tornar a mulher que desejamos Ser, se acessarmos a coragem para enfrentarmos os obstáculos que vão aparecendo a cada fase de nossas vidas; e fazer as renuncias necessárias, por vezes partir deixando nossa zona de conforto, assim como fez Diana, quando deixa a proteção da ilha para se aventurar no desconhecido, em outro mundo. De forma simbólica, partir é cortar o cordão umbilical com a mãe, desapegando da “menininha da mamãe” para creScER e se transformar na mulher,  a Mulher-Maravilha.

O segundo aspecto importante do filme é o fato da semideusa Diana não saber quem ela é de verdade, ainda não se transformou na Mulher- Maravilha. Não lhe contaram sobre seu poder, ainda está por  florescer o seu lado mulher. E este desabrochar tem início com o processo de individuação, novas experiências, autoconhecimento e conexão com a força e poder pessoal, acessados quando Diana decide  ir embora deixando a “menina” na ilha e indo em direção à  Mulher –Maravilha. O devir da Mulher-Maravilha que habita todas nós, é um processo solitário, intransferível e completamente desafiador; pois exige deixar morrer a nossa “menina-inocente” dependente, imatura , mimada,  e renascer a mulher madura, forte e independente.  São pequenas mortes – transformações – até sentirmos empoderadas. Sair do casulo ou da ilha maternal – zona de conforto-  nunca foi tarefa fácil pra ninguém, mas o que nos move a continuar querendo romper a casca do casulo é e sempre será a expectativa do voo.

A nossa jornada é bem similar à da  heroína da DC comics. Nós,   mulheres, também vamos descobrindo aos poucos nossos dons, talentos, e  habilidades para enfrentarmos as dificuldades dessa vida. Aprendemos  a elaborar nossa história, dando novos significados para conceitos e padrões antigos; ampliamos o olhar sobre nós mesmas e fazemos escolhas movidas pelo e amor e propósito na vida. Toda mulher  tem em sua psique o arquétipo da Mulher- Maravilha, convidando-a sempre que necessário a pegar seu escudo, seu laço da verdade e  tomar seu lugar na vida. Encontrarmos  nosso lugar ao sol é também descobrir o que faz sentido para nosso espírito; é acessarmos a nossa sensibilidade interna, ouvirmos nosso coracao, e ter sabedoria para nos  posicionarmos com firmeza e leveza diante daquilo que nossa alma anseia. Outra heroína que também assume o poder quando abdica da menina-inocente, é a She-ra. Renunciar à princesa Adora para  gritar em alto e bom tom: “Pela Honra de Greyskull”, é empoderar-se para uma nova mulher: She-ra. “Pela Honra de Greyskull”, pode ser também: pela honra de ser mulher”,  pela honra de minha profissão, pela honra de minha família, pela minha própria honra. É uma honra tomarmos posse do nosso lugar de direito. É um orgulho acessarmos nossa força  para defender quem mais amamos nessa vida.

Somos honradas e agraciadas pelo dom de espalhar o bem e o amor, através da nossa flexibilidade, paciência e sensibilidade. Somos pacíficas mas não passivas. Também somos heroínas, pois desenvolvemos a habilidade de empunhar uma espada, se precisarmos nos defender ou proteger nossos entes queridos. Afinal, toda mulher tem uma heroína dentro de si pronta para ser ativada quando a vida convidá-la a visitar o desconhecido, e com amor e por amor, buscar um novo sentido para a sua existência.