A INTELECTUALIDADE X TRUMP E BOLSONARO O suicídio do ocidente tramado em verso e prosa

2 de setembro de 2018
Félix Soibelman
por

Presidente da ASBI - ASSOCIAÇÃO SIONISTA BRASIL-ISRAEL. Advogado, editor e atualizador da Enciclopédia Jurídica Soibelman. Primeira obra eletrônica a ter a imunidade tributária reconhecida pelo STF.

Algumas vítimas da “ilusão culta” pensam que a sofisticação do discurso é equivalência de maior acerto e percepção da realidade. Dentre os expedientes utilizados por estas pessoas está, como observou, com muita sinceridade, um amigo jornalista, esquerdista, bastante lúcido ao reconhecê-lo, a mania de mandar os demais lerem livros, a arrogância tópica e típica da esquerda, com inteligência auto-atribuída em suas obtemperações. O jornalista, mesmo sem o querer, confirma o que eu sempre digo: todo intelectual quando critica Bolsonaro na verdade está defendendo a si mesmo, o seu autoconceito.

É como se aqueles que liam Rosseau e Voltaire em fins do século XVIII fossem capazes de prever o advento de Napoleão. A erudição ajuda a inventariar a história, fazer corretas conexões causais dos eventos do passado pela informação sobre os elementos, mas ela não é garantia de percepção correta da realidade presente e menos ainda do futuro. Por isto mesmo, muitas vezes, os intelectuais se escandalizam com o curso dos acontecimentos sob seus assustados pés. Esta idiossincrasia é tão substancial que seu orgulho acadêmico os faz insistir no erro dia após dia, com o resultado espantoso de que mesmo quando fracassam querem transformar, por alguma retórica extraviada, a derrota em vitória. Assim é que a vitória de Trump nos EUA pegou a inteligentsia de surpresa.

Cultivam esta ilusão em vez de perceberem que Trump acertou na sua ótica da realidade, muito mais do que eles, em vez de entenderem que o presidente americano  significa um caudal de ideias e razões que refletem um ponto de inflexão na história, como um redirecionamento para fora do marxismo cultural e de toda a arquitetura antiocidental bem como contra as alianças antiatlantistas no seio do ocidente, oxigenadas pela esquerda.

No lugar de entenderem que a sabotagem do liberalismo pela cultura teve em Trump seu maior contragolpe, ou compreenderem os intelectuais que “fazer a América grande novamente” significa redesenhar a política mundial para o retorno dos EUA ao seu protagonismo e direção na salvaguarda do constitucionalismo republicano e dos Estados Democráticos de Direito, o que é que nos devolve esta tão combalida inteligentsia? Ela simplesmente ensina o andar de baixo a caricaturar Trump, empregar slogans e jargões tolos como chamá-lo de racista, fascista, misógino, xenófobo, etc, ainda acreditando que os idiotas úteis herdarão o sal da terra ao repeti-lo.

Trump, ao arrepio dessa inteligentsia, vai fazendo o melhor governo, sob o ponto de vista econômico, que os EUA tiveram nas últimas décadas. Está quebrando os tentáculos chineses, dando um basta na leniência de anteriores presidentes para com inimigos dos EUA e dotou a política internacional americana de uma regra bem clara: os EUA não financiam mais quem vota sempre contra eles, não dão dinheiro para grupos terroristas como o Hamas, não favorecem negócios com potências inimigas permanecendo ao lado dos pseudo-aliados que querem negociar, por exemplo, com o Irã.

O rubor de Merkel ou Macrom, o estupor de toda a Europa perante este homem, que pareceria romper com os tendões do guarda-chuva protetivo dispensado à Europa pelos EUA não passa de pura hipocrisia. Eles sabem que são antiamericanos, e têm e sempre tiveram em sua dieta o fígado dos EUA, porém nunca um presidente americano, desde a segunda guerra, quando os EUA reconstruíram a Europa, havia jogado isto em sua cara.

A França, desde De Gaulle já atacava os EUA, mesmo após seus soldados terem entregue suas vidas na Normandia para livrar o país das garras de Hitler. O que dizer então dos intelectuais franceses, que prontamente se posicionaram preconceituosamente contra os americanos? Nada de novo há neste continente moralmente falido, sendo não casual o seu flerte venal com todos os inimigos dos EUA…

Os EUA, com Trump, voltam a impor sua força no terreno das relações internacionais e não mais cedem a discursos dissimuladores, dando nome aos bois: terrorismo é terrorismo, o Islã não é candidamente a religião da paz e do amor, ele deve respeitar as sociedades nas quais quer penetrar, submetendo-se aos valores republicanos, a China não deve ser indultada em suas políticas predatórias para com os mercados como se fosse a heroína anti-imperialista, quando ela é todo o contrário, enfim, Trump é o refluxo de todo o conjunto de fatores que vinham minando a força do Ocidente.

Enquanto isto, lideranças negras reconhecem que o governo de Trump está sendo o melhor que já houve para os negros nos EUA, mulheres integram a cúpula de seu governo e inclusive descendentes de imigrantes têm nela lugar de estaque, contrariando tudo o que se diz dele.

Porém, a intelectualidade derrotada persiste em recuperar-se dentro de si mesma, com seus mesmos avatares, querendo reconstruir a realidade nas medidas por ela desejada. O que intimamente não perdoam em Trump não é fato de ter vencido eleições na contramão de todo o conjunto midiático e de suas sempre equivocadas predições, mas sim o fato de ele ter vencido por ter sido mais inteligente do que eles na sua avaliação da realidade, com toda a mundivisão que ele concentra. Esta é a verdadeira matriz do ódio dos intelectuais contra Trump e por isto querem esvaziá-lo de inteligência, quando ele demonstrou tê-la em grau de gênio ao recambiar os pólos do mundo.

No Brasil ocorre, com Bolsonaro, exatamente o mesmo fenômeno. Querem dar-lhe a todo custo as tinturas do demagogo populista, ignorante, que prima por falar uma linguagem popular. Querem ridiculariza-lo quando fala de escola sem partido e disciplina nas escolas pontuando contra a ideologia de gênero nelas. Querem acusar-lhe de desconhecimento quanto levanta-se contra esta camuflagem do politicamente correto a implementar todas essas ideias de captura da virtude pela esquerda, dentro do que grassa o “coitadismo penal” na desculpa da marginalidade como fruto da carência econômica, e, enfim, na mesma perspectiva, execram-no quando ele professa o liberalismo. Sobretudo, ficam indignados quando ele manifesta que o movimento de 1964 não foi o satã que querem pintar, recordando como seria a ditadura de esquerda que iriam implantar os movimentos reprimidos pelos militares. Tudo uma estratégia desconstrucionista, de caso pensado, fadada ao fracasso.

O mais interessante de tudo isto é o coeficiente de obviedade que estes intelectuais esperam estar presente para seus leitores, dado que supõem que é óbvio que Bolsonaro é burro, inculto, que tudo que fala é fruto do despreparo, e que os colchetes da ignorância devem ser postos em toda coisa que diga.

Estão, portanto, cometendo o mesmo erro que cometeram com Trump ao não se aperceberem do que jaz no fundo do inconformismo de Bolsonaro, querendo a todo custo empurrá-lo para dentro de um estereótipo sem atentar para o aspecto profundo que gravita abaixo de suas posições, sem ver, enfim, que ele não é apenas um homem, mas a voz de uma tendência histórica que se aprofunda para muito mais além de frases pontuais.

É realmente impressionante ver os intelectuais morderem a própria cauda no círculo vicioso que formam com seu séquito pensando que no mundo de premissas falsas que criaram podem eles sobreviver à realidade, o que, no entanto, é próprio do abecedário marxista, cujas predições, jamais concretizadas, conectam-se perfeitamente com as economias fracassadas que se produziram por onde a esquerda se implantou, o que denuncia seu caráter anticientífico consoante a teoria da demarcação em Popper.

Este mundo de faz-de-conta das profecias marxistas tem sua correspondência perfeita na perplexidade dos intelectuais para com os acontecimentos quando estes se revelam descompassados com as suas ideias e diagnósticos.

Quando tal inevitável descompasso ocorre, os eventos sempre recebem destes pensadores uma reformulação para tentar justificar a manutenção de suas teorias (em cada crise do capitalismo é anunciado que finalmente se concretizou a profecia marxista sobre seu fim, sem que nunca aconteça, e o equilíbrio e fartura para todos com a abolição da propriedade nunca se operou, mas, muito ao contrário, foram os países liberais que maior prosperidade alcançaram enquanto a esquerda só produziu decadência).

Logo, quando aparece um candidato como Bolsonaro é a biblioteca inteira destes intelectuias que se convulsiona, todo o seu arsenal de pseudo-superioridade lubrificado por anos a fio dentro de seu universo retroalimentado entre iguais de seus círculos cultivados o que se coloca em movimento, saindo na linha de produção de sua cegueira, como primeiro produto, os slogans que transmitem inveridicamente à militância: Bolsonaro é primário, Bolsonaro é despresparado, Bolsonaro é fascista, Bolsonaro é misógino, Bolsonaro é xenófobo e logo você verá aquela garota, estudante de sociologia ou filosofia, espumando de raiva ao gritar todas estas coisas sem ver a falsidade das fontes que a alimentam.

É a comédia intelectual na forjadura do suicídio do ocidente, tramado na prosa destes pensadores de esquerda e nos versos dos ingênuos artistas que os repercutem.