A caça ao Neymar é o retrato da inveja ao nosso futebol

3 de julho de 2018
Rafael Nogueira
por

Rafael Nogueira é professor de Filosofia e História.

Tudo que é maluco falando mal do Neymar. Jornal brasileiro e americano, técnico mexicano, goleiro do timeco da Dinamarca, e até ator de Harry Potter. Vi até uma confederação de países latinos contra o Brasil no Twitter. É o cu da cobra.

Para mim, trata-se do inverso: Neymar inspira inveja, medo de humilhação e severas cobranças, tanto de torcedores, quanto daqueles que exigem espetáculos, o que gera justificativas para a violência mais torpe.

Lembrem-se, e jamais se esqueçam: em 2014, um colombiano retirou Neymar da Copa por causa de um golpe violento. Vou repetir: o cara saiu da Copa mais cedo porque foi agredido violentamente em campo.

Todos sabemos que isso colaborou para fragilizar emocionalmente uma seleção já hipersensibilizada, culminando no pior momento da seleção brasileira de todos os tempos: o 7×1.

Muito se fala no Neymar “cai cai”, em seus arroubos de nervosismo e em suas exibições abaixo das expectativas, mas ninguém repara que há adversários exagerando na violência, que não queremos que se repita a vergonha daquele “Brasil x Colômbia”, que grupos inteiros, de vários países, por pura inveja querem minar as forças da seleção brasileira, para impedir que o craque lhes imponha novas variadas derrotas e vexames.

Se ele cai exageradamente, entendamos que ele o faz não só para cavar faltas e pênaltis, mas também (e acho que é o motivo principal) para se proteger.

Se ele é nervosinho, diga-me: você é o rei zen? Não consegue se colocar no lugar de um menino que deu toda sua vida ao nosso esporte favorito, e que não teve na infância instrução especial nenhuma para lidar com as fortíssimas emoções que geraria e sentiria?

Se ele está abaixo das expectativas, tenhamos em mente que ele está se recuperando de uma lesão, que ele é mais leve que os outros jogadores (justamente para manter a agilidade), e que ele pode estar estar enfrentando crises internas que poderão se encaminhar melhor com a ajuda dos torcedores, desde que torçam por ele junto, e não por resultados, a despeito dele.

Se eu tivesse tempo, traduziria este texto em uns 10 idiomas e espalharia por aí para que entendessem melhor de quem estão falando, e qual o contexto daquilo que estão vendo agora, do nada, só porque a Copa faz o mundo voltar os olhos ao futebol, mas já estou usando tempo de trabalho e de sono aqui.

Se concorda, difunda a ideia. Protejamos o menino Ney (eu sei que ele já é homem, não encham o saco) e que ele continue se aprimorando para nos levar à taça. Com ousadia e alegria.