07 de abril – dia de São Lula.

10 de Abril de 2018

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Foto: Google

Passado o rebuliço midiático deste 07 de abril, eis a verdade que subsiste: horas antes de se entregar à Polícia Federal, sob o influxo de Baco (leia-se: ébrio, embriagado, bêbado), o sr. Luiz Inácio proferiu a plenos pulmões o discurso mais cínico, odioso e arrogante da história da já tão maculada e ainda novel democracia brasileira, dirigido ao núcleo duro de fiéis do Partido dos Trabalhadores e demais partidos da esquerda nacional, diretamente do seu bunker sindical erigido em São Bernardo do Campo. É preciso reconhecer que o cinismo deste outrora tão aclamado líder popular, agora preso, é realmente impressionante. Lula é, de fato, doutor no que se propõe a fazer.

Concedendo a si mesmo os títulos honoris causa de dono e pai do Brasil, o cinismo em sua postura e palavras é tão eloquente que quase o eleva à estatura de um ser transcendental – o novo Cristo – iluminado e enviado pelo deus-social como o sacrifício pela salvação de sua militância que, por sua vez, também se transfigura numa espécie de “povo honorário” sufocado pelas “elites” em um mundo imaginário onde só os fiéis são o povo e o povo real é elite.

Observando-se ao redor, é de fato impressionante o nível de desorientação geral que a ideologia lulopetista conseguiu inculcar entre nós brasileiros, ao ponto de estender cortinas de fumaça sobre os fatos mais óbvios, acostumando-nos a formar opiniões não pela razão fundamentada, isenta e experimentada na estrutura da realidade, mas pela emoção e pela desinformação ideológica que evita o escrutínio dos fatos. Exemplo dessa disfunção é a nota de apoio a Lula emitida pelos narcotraficantes das FARC e abertamente publicada no próprio portal do Partido dos Trabalhadores, sem maiores questionamentos por parte “do povo”. Lula e o narcotráfico? O adágio “diga-me com quem andas que lhe direi quem és” ainda guarda alguma sabedoria válida? Outro exemplo também se observa na ignorada vida pregressa da também ex-presidente Dilma Rousseff, integrante ativa da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares em sua juventude, grupo paramilitar que realizava assaltos, atentados e sequestros no período do regime militar brasileiro. Fatos que não abalam a fé dos fiéis, não importa quão absurdos

sejam.

Na cabeça dos desatentos, Lula consegue, com facilidade monstruosa, transformar em realidade a comédia de Groucho Marx, que registrava em tom de ironia: “Afinal, você vai acreditar em mim ou nos seus próprios olhos?”. É espantosa a quantidade de fiéis que abdicaram voluntariamente de suas capacidades cognitivas de investigação e julgamento, entregando-as nas mãos do salvador-profeta do socialismo latino-americano.

A ideologia totalitária e genocida que dividiu o mundo e se alastrou no século XX, encarnada nas figuras do Internacional Socialismo (ou Comunismo) e do Nacional Socialismo (ou Nazifascismo), deixando plenas demonstrações de maldade e bestialidade intrínsecas, é a mesma que inspira o PT e se encarna no símbolo Lula, por ele avalizada. Para desconfiar da semelhança, basta observar as bandeiras vermelhas que ostentam onde quer que estejam, em detrimento da bandeira nacional. Mas nada disso importa, assim como a vida pregressa de Dilma Rousseff e a afeição do narcotráfico colombiano a Lula. Não questione! Não fale sobre isso! Faça abstração do mal! O que importa são os belos pretextos, os floreios, as promessas de igualdade e salvação dos pobres e minorias. Dividir para conquistar. A política do nós contra eles levada à cabo ao ponto de semear sem pudor a praga da discórdia ideológica no seio da sociedade, entre membros da mesma família e amizades de longa data se preciso for. Reino dividido não subsiste, bem sabem os ideólogos! E assim se resume o discurso do carismático Lula: na promoção da discórdia entre ricos e pobres, patrões e empregados, brancos e negros, homens e mulheres, sociedade e instituições, incitação de ódio, crimes e badernas, et cetera, et cetera.

Há um século atrás, na mesma toada, as atrocidades do governo soviético culminaram no extermínio aberto de civis pelo simples fato de serem identificados como “a burguesia”, tendo como único critério o simples fator classe social para a escolha dos executados. Fato assumido e documentado abertamente no período do Terror Vermelho (campanha de prisões e execuções em massa promovida pelo partido bolchevique em 1918). Por motivos semelhantes, Hitler promoveu o holocausto dos judeus. O saldo de mortes dos regimes totalitários pelo mundo afora é estimado na casa dos 100 milhões. Mas isso também não importa. Caso você se recuse a fazer parte do clube lulista, sempre receberá o rótulo de “fascista” pelos fiéis que, na grande maioria dos casos, sequer cogitam que são precisamente eles quem se portam como tal. Mal sabem o que falam, pois conferir se o discurso se reporta à realidade é terminantemente proibido. Quer outro exemplo? A própria CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) – razão de ser e de existir dos sindicatos que compõem a base da militância de esquerda – foi uma criação do governo Getúlio Vargas, em clara inspiração na Carta del Lavoro do Estado fascista italiano nos anos 40. Mas isso também é bobagem.

A atmosfera demoníaca do gulag (campo de trabalho forçado soviético) foi documentada em detalhes no livro The Gulag Archipelago pelo prêmio Nobel Aleksandr Solzhenitsyn, capitão condecorado do exército soviético na segunda guerra mundial, sentenciado a oito anos de cadeia em 1945 por criticar Stalin e o governo soviético em cartas privadas. Quantos se lembram das ameaças abertas de Lula prometendo mandar prender o juiz Sérgio Moro e os integrantes da força-tarefa da operação Lavajato, caso retorne ao poder? E da reiterada promessa de regular (censurar) os meio de comunicação? Identificam aí alguma semelhança?

Por aqui, no Brasil do lulopetismo, a confusão ideológica já é tamanha que, explicar para simpatizantes e adeptos que a comprovação dos crimes do ex-presidente que envolvem ocultação de patrimônio, por definição, não exige a prova documental material específica do patrimônio ocultado (fato óbvio pela própria natureza do crime), é como dar murros em ponta de faca. Fazê-los compreender que o testemunho humano também é prova robusta no devido processo legal desde muito antes do Direito romano, também é por sua vez tarefa árdua. Ver o próprio autor do crime em seu discurso chamando de “meu” o bem litigioso muito menos os convence. Mas isso não importa, uma vez que, no governo Lula, o pobre hipotético finalmente pôde comprar um carro zero e andar de avião, ainda que Lula não tenha pago um boleto sequer das prestações assumidas pelo tal pobre hipotético. A conta do

crédito fácil fornecido no governo Lula foi cobrada no governo Dilma, empurrando o pobre hipotético para a maior crise econômica e taxas de desempregos já observadas no Brasil. Sem falar na corrupção sistêmica nunca antes observada e de todos conhecida, razão pela qual o próprio Lula se encontra agora condenado e preso.

Tudo isso se dá por uma simples razão: para a mentalidade revolucionária os fins justificam os meios, à exemplo do gulag soviético, paredões de fuzilamento cubanos e extermínio de judeus pelos nazistas. Lula não é culpado. A criminalidade mafiosa se purifica quando necessária para a causa revolucionária em prol da utopia. É a expiação de todos os pecados! O futuro hipotético das igualdades sociais e fim das injustiças é tão precioso que não importam os meios, o importante é chegar lá! “Lula vale a luta”, dizem.

Não é por menos que a linguagem é subvertida e transformada em instrumento da causa. A moralidade tradicional, questionada e relativizada justamente por ser condição sine qua non da desorientação e da divisão social tão desejáveis. Vale tudo! Vale até fazer missa para ateus que sentem repulsa pelas tradições “obscurantistas” e moralistas do cristianismo. É lindo vê-los rezando o pai-nosso! Todos esses fatores estiveram presentes no discurso de Lula, com o tempero do cinismo, vitimização e cheiro de cachaça (cortesia da senadora Gleisi Hoffmann).

Enfim, passado o rebuliço, que o brasileiro entenda que a prisão do sr. Luiz Inácio é apenas a cereja do bolo e que a luta pelo Brasil da ordem e do progresso está apenas começando. É na cultura que as batalhas mais difíceis ainda serão travadas. Ou o brasileiro rompe definitivamente com a inércia, se prepara e estuda para entender as razões e raízes do problema, aprender com os erros e acertos do passado da humanidade para propor soluções para a vida em sociedade, ou Lula volta, ainda que na figura de outro símbolo transcendental da revolução. Candidatos não faltam!

Que o brasileiro aprenda a cuspir o caroço das ideologias vãs e religiões políticas que se propõem menos a tentar entender o mundo do que a mudá-lo por atos de tirania. De boas intenções o inferno passa bem.