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julho segunda

Entrevista - Dra Cristina Lopes

Cristina Lopes Afonso a vereadora cuja bandeira é a defesa de vítimas de queimaduras no país foi reeleita com a segunda maior votação da capital. Articulada e bem-humorada,a vereadora falou ao Hora Extra sobre as expectativas da nova legislatura e do executivo. Criticou as escolhas de Iris Rezende e a maneira equivocada do presidente da Câmara, Andrey Azeredo. Também falou sobre a reestruturação do seu partido, o relacionamento com o governador Marconi e sobre os projetos que quer colocar em prática.

 

“Essa questão da formação das comissões, foi um equívoco. Foi uma atitude de quem não compreende como funciona o parlamento”

 

Hora Extra: A sra foi a segunda mais bem votada nas últimas eleições, como a sra vê esse resultado?

Eu vejo como reconhecimento do meu trabalho. A minha ligação com a política se deu com a minha primeira candidatura, em 2008, então poucas pessoas tinha meu nome ligado à política. Mas, o meu trabalho, tornou o meu nome conhecido e por isso eu tive uma expressão tão grande de votos - que me impressionou. Eu ando nas ruas, as pessoas me cumprimentam, me parabenizam, querem tirar foto, o que é uma coisa muito rara para uma pessoa que hoje está na política. Então, para mim, isso quer dizer que eu estou no caminho certo. E que o trabalho verdadeiro, ele não tem desgaste. Ninguém precisa criar uma estrutura grande de campanha quando se faz um trabalho verdadeiro.

HE: O ano legislativo começou já com muitas divergências, como a Sra vê essa postura do presidente de querer excluir a oposição das comissões?

Bem, nós tivemos uma renovação muito expressiva - 23 novos vereadores - dentre eles, três mulheres, novatas. A inexperiência nos leva muitas vezes a cometer alguns equívocos. Essa questão da formação das comissões, foi um equívoco. Foi uma atitude de quem não compreende como funciona o parlamento e de quem não compreende o princípio da democracia. Todo regime democrático assegura vaga com voz e voto para a oposição. Mas também culpo o cansaço. Nós estávamos desde as 14:00 horas em função da posse, da solenidade, depois veio eleger a mesa. Então estávamos cansado, com fome. Então eu vejo que foi um equívoco pela inexperiência e pelo cansaço, mas no dia seguinte, foi tudo resolvido e com um pedido formal de desculpas. Espero que ele tenha agora maturidade e uma boa assessoria.

HE: Mas esse problema já foi resolvido?

Sim. Foi sanado. Nós voltaremos em fevereiro com as vagas asseguradas na CCJ e também nas outras comissões. Nós que formamos esse grupo de oposição nós conseguimos assento em todas as comissões e a presidência de quatro delas. Isso é um ganho e deixando claro para os novatos que nem sempre nossa vontade vai ser atendida porque existem princípios, lei e regimento interno.

HE: E nesse novo arranjo o que coube a Sra?

Eu fiquei na presidência da Comissão da Pessoa com Deficiência e necessidades especiais. Que é uma comissão que tem muito a ver com o meu trabalho de fisioterapeuta, como pessoa que trabalha com reabilitação. Trabalhei muito esse ano com a associação dos paraolímpicos do futuro que é uma associação em que os jovens são treinados para serem atletas paraolímpicos e também com a Pestalozzi, E eu tenho certeza que nós poderemos avançar ainda mais.

HE: E como a Sra tem visto o início dos trabalhos do executivo, que já começou sem o vice-prefeito?

Eu lamento muito, eu conheço o deputado Major Araújo, eu tenho muito respeito por ele, mas ele fez uma escolha que ele mesmo disse na imprensa que ele não tinha pensando direito, não tinha feito uma análise mais profunda. É uma pena porque o brilho das eleições é você poder ver no poder quem você votou, então, começou meio errado. O prefeito Iris Rezende é um político experiente, já passou por vários cargos no poder público, então eu o vejo com mais habilidade para  lidar com a oposição. O prefeito Paulo Garcia deixava claro que não queria dialogar com a oposição, ou era do jeito dele ou não era. Eu acredito que o Iris terá uma habilidade maior.

HE: E o que a Sra achou dos auxiliares do prefeito, os novos secretários?

Eu lamento muito ele ter reconduzido o Kleber Adorno para pasta da Cultura, eu tenho uma ligação muito íntima com o setor cultural. Ele é um homem que não é respeitado pela classe artística, é um homem que comprovadamente foi o arquiteto de um projeto de corrupção dentro da pasta e me impressionou muito o Iris voltar com o nome dele. Os outros secretários nós iremos ver o que será.

HE: O Seu partido, PSDB, ano passado, passou por vários problemas como a Operação Decantação que prendeu o presidente acusado de desvios. O Deputado Giuseppe Vecci agora assumirá o partido, o que a Sra achou disso?

Bem, o Vecci, na reunião que tivemos, eu declarei meu apoio a ele. Ele é um tucano de muitos anos, foi secretário de governo, ele é vice-presidente do PSDB nacional, então eu acho que ele agrega muita gente dentro do partido. Acho que ele poderá retomar a direção do partido depois de toda essa dificuldades pelas quais o partido passou. Agora nós temos a missão de preparar o partido para 2018.

HE: O que os goianienses podem esperar desse seu novo mandato, o que a sra acha que Goiânia precisa neste momento?

Nós precisamos de projetos claros e que definam o projeto de Educação na nossa cidade. Meu convívio com a categoria da educação me trouxe um diagnóstico claríssimo: as pessoas estão adoecidas dentro do processo educacional. Os professores, os servidores, os alunos, as famílias. Porque se cria uma expectativa e essa expectativa é frustrada pela falta de investimento e de estrutura da própria escola. A gente vem com um projeto para tentar contribuir de uma maneira efetiva. Vamos continuar com os projetos na saúde, já temos vários tramitando. O projeto das Doulas foi um projeto que foi aprovado, e nós pretendemos que com a nova secretária da pasta as Doulas sejam, de fato, uma realidade dentro das maternidades municipais. Temos os projetos para as pessoas com deficiências, um deles é um que reserva vagas para essas pessoas aqui na Câmara e no Município. E sempre a minha missão: a defesa da mulher e da família.

HE: A Sra, que sempre foi ligada à causa das mulheres que sofrem violência, agora vem se dedicando a um novo projeto. Fale um pouco sobre ele.

Eu venho trabalhando com os grupos de agressores. Os agressores são obrigados a fazer um curso e eu sou uma das palestrantes. Eu acho isso muito interessante. Porque você acolhe a família do agressor, mas esse agressor vai casando com uma, com outra, e com outra e a violência se perpetua. Então, estou trabalhando com esses grupos e pretendo dar ênfase aqui na Câmara.

HE: A Sra sempre deixou claro que admira muito o governador Marconi Perillo. Agora, o maior inimigo de Marconi - Jorge Kajuru - será seu colega de plenário. A sra vai defender o governador?

Eu tenho uma relação de muitos anos tanto com o governador quanto com a primeira-dama, ela sempre me deu suporte no meu trabalho com as vítimas de queimaduras, inclusive fornecendo a malha de compressão para tratar as cicatrizes, depois nos amparando nas cirurgias de reconstrução. Então, eu tenho um trabalho ligado à sociedade civil organizada de muitos anos. Por isso a minha relação tão próxima de quem acompanha o trabalho do governador. O Governador está agora no quanto mandato e é natural haver um desgaste. O governador Marconi foi o homem que colocou o estado nos trilhos do desenvolvimento. Mostrou o estado para o mundo. Sobre a relação do governador com o meu colega Jorge Kajuru -  eu tive uma relação boa com ele na primeira sessão - ele pediu para entrar no nosso grupo de oposição, hoje será parte da CCJ. E ele deixou claro, em plenário, que o foco dele não será o governador Marconi, mas sim, a cidade, os projetos dele e tudo mais. E disse que o foco dele é 2018, ser deputado federal, aí que ele se preocupará com governador. Naquilo que for pertinente, e que eu tive conhecimento de causa, com certeza irei defender Marconi. Assim, como cheguei a defender o Paulo Garcia algumas vezes. Porque o que for injusto eu irei defender sim. Mas ele me disse que esse não era o foco dele, vamos aguardar.