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julho segunda

Entrevista: Lucas Kitão

“Independentemente de ser as novas ou as antigas quero estar no bloco dos bem intencionados.”

 

Ele começou a gostar de política ainda na escola. Estudante de um dos mais tradicionais colégios de Goiânia, o católico Externato São José, Lucas Kitão se envolveu com o Grêmio Estudantil. Como a maioria dos jovens da região Centro-Sul de Goiânia – Kitão foi criado no Setor Aeroporto e no Setor Oeste – ingressou em Direito na Pontifícia Universidade Católica, tendo sido um dos diretores do famigerado Centro Acadêmico Clovis Bevilaqua. Foi lá que aprendeu a fazer política estudantil. Hoje, é um dos mais jovens vereadores que comporá a Câmara Municipal de Goiânia a partir de janeiro. Com apenas 25 anos, Lucas faz parte do movimento Pense Novo - uma ala do Partido Social Liberal que tenta levar o liberalismo para a sociedade de uma maneira mais pragmática. Em entrevista exclusiva ao Hora Extra, Lucas falou sobre suas aspirações na vereança: “Eu sou de uma linha liberal em que o Estado tem de ter menos influência, que se ele puder trazer algum bem para a sociedade muito bom, mas se não, que não atrapalhe o cidadão trabalhador”. Sobre o próximo prefeito Iris Rezende: “Eu não tenho dificuldade em ter diálogo com o Iris, o vejo como uma pessoa trabalhadora e não tenho desgaste” e sobre a nova configuração da casa de leis: “independentemente de ser as [caras] novas ou as antigas quero estar no bloco dos bem intencionados

Hora Extra: conta para os nossos leitores um pouco sobre o novo vereador de Goiânia, o Lucas Kitão

Lucas Kitão: Bom, eu vim do Movimento Estudantil. Foi no colégio que eu comecei a minha vivência política, que eu tive experiências e os primeiros contatos foi no Grêmio Estudantil do Externato São José; depois fui diretor do Centro Acadêmico da PUC, faculdade em que eu cursava Direito e depois tivemos disputas pelo DCE da universidade; e após essa fase, de movimento, eu vi que meu lugar era mesmo na política partidária e foi onde (sic) eu e outros companheiros entramos no PSDB-Jovem. Na época da gestão do Lucas Calil. A gente conseguiu reestruturar o PSDB-Jovem em vários municípios do estado e foi com essa plataforma que nós criamos o grupo Pense Novo já no PSL, esse grupo foi responsável pela eleição do Lucas Calil a deputado estadual e que demos continuidade nesse projeto na minha eleição. Hoje, esse grupo Pense Novo é uma tendência do PSL. Uma frente do PSL mais jovens, não só ideológica, mas de muita ação, sabemos pouco de política, tenho falado isso, mas nós já sabemos o que não fazer. Esse foi o recado que as urnas nos deram, que as pessoas estão descontentes.

HE: É então um goaniense?

LK: Eu sou nascido em Goiânia mesmo, sempre morei ali entre o Setor Oeste e o Setor Aeroporto, da Região Centro-Sul da cidade. Mas, uma coisa tenho de falar, uma das bandeiras da minha campanha era a não regionalização da nossa campanha, e agora do nosso mandato, eu quero ser vereador de toda a cidade. Quero entender a cidade como um todo. Por isso fiz campanha em todas as regiões da cidade.

HE: Você foi eleito com mais de quatro mil votos, em uma das eleições com mais abstenções, qual o saldo que você tira, já que sua campanha foi modesta em relação a tantas outras que não foram bem sucedidas?

LK: Eu acho que foi benéfico porque isso de o CNPJ não poder contribuir com campanhas eleitorais acabou que fez com que nossa campanha sobressaísse sobre as outras porque a gente não esperava mesmo esse dinheiro de grandes grupos porque eu não represento nenhum grupo econômico. Apesar de me auto-intitular o candidato que vai trabalhar pelo setor produtivo eu quero fazer isso porque eu acredito, porque eu acho que é por meio do emprego que vamos tirar os jovens do crime. Quem tem emprego não vai para as ruas, vai investir na sua formação e na formação dos filhos. Eu sou de uma linha liberal em que o Estado tem de ter menos influência; que se ele puder trazer algum bem para a sociedade muito bom, mas se não, que não atrapalhe o cidadão trabalhador.

 

HE: E o sr já decidiu qual será a sua linha de atuação na Casa?

LK: Bom, eu não tenho essa intenção de ser oposição por ser oposição nem de ser situação por ser situação, o meu posicionamento hoje ainda é indefinido. Primeiro porque a minha intenção maior é contribuir com a cidade e na medida que Deus me deu essa chance de ser vereador a prioridade lá dentro da Câmara Municipal será a cidade independente de lado ou partido. Eu estou dizendo isso para concluir que: o que for, e o que eu tiver certeza que é o melhor para cidade eu vou apoiar independente de ser oposição ou governo. Tudo bem, nosso candidato não venceu, mas bola para frente. Eu não tenho dificuldade em ter diálogo com o Iris, o vejo como uma pessoa trabalhadora e não tenho desgaste. Espero que ele escute as novas vozes da Câmara Municipal porque querendo ou não a gente representa o que a população quer hoje: mudança, transparência e o fato de sermos mais acessíveis que os antigos políticos.

HE: E quais serão seus projetos nesse início de vereança?

LK: Bom nós temos alguns projetos já traçados. Mas o nosso principal foco será a diminuição da burocracia em todos os setores da prefeitura, transformar a prefeitura em algo ágil, que flua, que auxilie o cidadão, no social e no setor produtivo sem criar barreiras para essas pessoas. Que seja transparente. Por exemplo, temos o projeto de lei para que o prefeito indique apenas pessoas técnicas para cargos chaves e não apenas agente políticos, companheiros como a gente vê.

HE: O seu partido, o PSL, tem uma tendência nacional muito forte denominada Livres, e a tendência é que o partido seja o maior partido liberal do Brasil. Existe livres em Goiânia? Como é sua relação com eles?

LK: Sim, clato que existe! E a  gente sempre teve uma relação boa,  ótima. Nós espelhamos nossa atuação nas ideias liberais que os Livres colocam à disposição da gente, mas, querendo ou não a gente às vezes tem uma atuação mais pragmática, mais de rua e foge um um pouco da atuação ideológica e digital dos Livres, nada contra, são só meios diferentes de ação. A gente está pegando um pouco de cada, essa vivencia mais popular do Pense Novo com o arcabouço intelectual e ideológico dos Livres, eu acho o resultado será excelente.

HE: O Sr, depois de eleito, já foi à Câmara, já conheceu os novos colegas?

LK: Eu trabalhei lá, eu secretariei a Comissão de Desenvolvimento Econômico e Social  e foi lá que eu comecei a entender a cidade e ter gosto pela política, pesquisei muito sobre a cidade. Porque eu gosto demais de Goiânia, nasci e cresci aqui, adoro a cidade, quero criar uma família aqui e eu não quero viver com todos os problemas que a cidade tem agora. Sobre a pergunta: eu conheci alguns dos novos, uns nove, dez, gostei muito. São pessoas boas, me aparentam ser bem intencionadas e é isso que eu quero e a essas que eu quero me unir, independentemente de ser as novas ou as antigas quero estar no bloco dos bem intencionados. Já tem algumas correntes que após a eleição do Iris direcionou um pouco a mesa, a chance do prefeito eleger a mesa é muito maior. Mas vejo com bons olhos, vamos aguardar.